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Touro de central ou de campo? Saiba como escolher o melhor reprodutor para o seu sistema

Genética de alto controle ou rusticidade no pasto? Especialistas da Alta Genetics e da Fazenda Camparino explicam como alinhar a escolha do reprodutor com os objetivos da fazenda.

Cassia Carolina Cassia Carolina 10 de julho de 2025 às 13h37
Touros Nelore a campo, representando rusticidade, desempenho produtivo e seleção genética para cobertura natural.

Foto: Canal do Criador

Na hora de investir em reprodução bovina, muitos criadores ficam em dúvida: vale mais a pena usar sêmen de um touro de central ou apostar na monta natural com reprodutores a campo? A resposta não é única — depende da estrutura da propriedade, do perfil do rebanho e do tipo de resultado que se busca.

Para ajudar nessa decisão, conversamos com Luiza Mangucci, gerente de Corte Taurino da Alta Genetics, e com o criador Matheus Franco Martins, da tradicional Fazenda Camparino, referência na raça Nelore.

Quando optar pelo sêmen de touros de central?

A inseminação artificial é indicada para propriedades com planejamento reprodutivo, independentemente do tamanho. Segundo Luiza, ela acelera o avanço genético, melhora o controle da estação de monta e facilita o cruzamento industrial — especialmente em regiões onde o uso de touros taurinos na monta natural é limitado.

Entre os principais benefícios:

  • Multiplicação genética direcionada, usando as melhores matrizes;

  • Mais peso à desmama, com até 30 kg extras por bezerro;

  • Ajuste do calendário de partos, otimizando o manejo.

Apesar do nível de controle da genética de central, Matheus destaca que o resultado prático vem do campo. “Às vezes, um touro não vai pra central por um detalhe. Mas quando nascem os bezerros, ele surpreende. A prova está no bezerro no chão”, comenta.

Monta natural continua sendo uma boa estratégia?

Mesmo com o crescimento da inseminação artificial, a monta natural ainda predomina no Brasil. Estima-se que mais de 75% das fêmeas reprodutivas sejam cobertas por touros no pasto.

“Quando há estação de monta definida e manejo correto, a monta natural gera bons resultados”, afirma Luiza. Ela destaca que o modelo mais eficiente hoje é o uso combinado: IA nos primeiros serviços e cobertura natural no repasse — para cobrir as fêmeas que não emprenharam com a inseminação.

Matheus reforça: “Cada método tem seu papel. Cabe ao criador entender o que se encaixa melhor na realidade da fazenda.”

Diferenças na seleção dos reprodutores

Segundo Luiza, os touros de central passam por um processo rigoroso de avaliação fenotípica, genômica e sanitária. “São certificados como livres de doenças e trazem previsibilidade ao programa de melhoramento genético.”

Na Camparino, o processo também é criterioso. “Acompanhamos desde o nascimento. O animal que se destaca a gente observa com mais atenção: linhagem, mãe, avó… precisa ter consistência genética”, explica Matheus. “Além disso, olhamos para carcaça, rendimento, beleza racial, cupim bem posicionado. Tudo conta.”

Custo-benefício: inseminação ou monta natural?

A IA costuma ter maior retorno sobre o investimento, apesar do custo inicial mais alto. Segundo Luiza, o ganho pode ser de até 30 kg por bezerro desmamado, além do salto genético no rebanho.

A monta natural, por outro lado, tem menor custo por gestação e ainda é eficiente — desde que os touros estejam saudáveis e bem manejados. Um touro pode cobrir de 25 a 35 vacas por estação, mas esse número depende da idade e da categoria tanto do reprodutor quanto das fêmeas. “Não existe regra fixa. A categoria tem que casar”, diz Matheus.

Escolha com base no planejamento, não na moda

Mais do que seguir tendências, a escolha entre IA e monta natural deve estar alinhada aos objetivos da propriedade. “Não adianta comprar sêmen de touro top se você não sabe o que quer produzir”, resume Matheus.

E finaliza com uma frase que resume bem a essência do bom reprodutor: “O que vai dizer se um touro é bom mesmo é o que ele deixa no campo. “A prova é a qualidade do bezerro no chão”, finaliza.

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