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MERCADO FINANCEIRO

PicPay estreia na segunda maior bolsa de valores do mundo e reacende mercado de IPOs

Primeira abertura de capital de empresa brasileira em quatro anos nos Estados Unidos sinaliza retomada do interesse dos investidores

Por Cássia Carolina
29 de janeiro de 2026 às 18h57
PicPay estreia na segunda maior bolsa do mundo e reacende mercado de IPOs

FOTO: 2026 Nasdaq, Inc. / Vanja Savic

A estreia do PicPay na segunda maior bolsa de valores do mundo, a Nasdaq, marcou um ponto de virada para o mercado de capitais brasileiro. A operação encerra um período de quatro anos sem IPOs de empresas do País nos Estados Unidos e reacende o interesse de investidores internacionais pelo Brasil, segundo informações divulgadas pela CNN nesta quinta-feira (29/1),

Na oferta pública inicial, o PicPay levantou US$ 434 milhões, valor que pode chegar a US$ 499 milhões com o exercício do lote adicional, conhecido como greenshoe. As ações foram precificadas a US$ 19, no topo da faixa indicativa, o que sinaliza forte demanda do mercado. Com isso, a fintech passou a ser avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões e começou a ser negociada sob o código PICS.

IPO volta ao radar e melhora o ambiente de investimentos

A abertura de capital rompe um hiato iniciado após a estreia do Nubank em Nova York, no fim de 2021. Desde então, o cenário global de juros elevados e maior aversão ao risco havia afastado empresas brasileiras do mercado acionário internacional.

Para o setor produtivo, incluindo o agronegócio, esse movimento é visto como um termômetro relevante. A retomada dos IPOs indica maior liquidez, melhora do ambiente econômico e potencial ampliação do acesso a crédito, fatores que impactam diretamente investimentos no campo, tecnologia, financiamento e gestão financeira das propriedades rurais.

Demanda elevada e investidores estratégicos

A operação foi coordenada por Citigroup, Bank of America e Royal Bank of Canada. Um dos destaques foi a participação da gestora Bicycle Capital, liderada por Marcelo Claure, que garantiu a compra de US$ 75 milhões em ações na oferta. A gestora terá assento no conselho de administração da companhia, sem acordo de controle.

Com a abertura de capital, a J&F Investimentos, controladora do PicPay, reduziu sua participação para cerca de 70%, mantendo o controle por meio de ações com direito a voto múltiplo.

Cerimônia de abertura de capital em Nova Iorque.

Cerimônia de abertura de capital em Nova Iorque. FOTO: 2026 Nasdaq, Inc. / Vanja Savic

Discurso de estreia e planos de crescimento

Durante a cerimônia de toque do sino em Nova York, o CEO do PicPay, Eduardo Chedid, destacou que a listagem representa o início de um novo ciclo para a empresa. “A listagem na Nasdaq não é a linha de chegada. É apenas o início de um novo e empolgante capítulo da nossa história”, afirmou.

Segundo a companhia, os recursos captados serão destinados a investimentos, projetos de expansão, capital de giro e à aquisição da seguradora Kovr.

A operação representa mais um marco para os irmãos Batista, também controladores da JBS

A operação representa mais um marco para os irmãos Batista, também controladores da JBS. 2026 Nasdaq, Inc. / Vanja Savic

Fintechs brasileiras ganham espaço no exterior

A repercussão do IPO foi destaque na imprensa internacional. O Financial Times ressaltou que a operação representa mais um marco para os irmãos Batista, também controladores da JBS, e reforça o momento favorável para empresas brasileiras no mercado externo.

O cenário positivo também é refletido no desempenho de pares do setor, como bancos digitais listados nos Estados Unidos, e pode abrir espaço para novas estreias. 

Fundado em 2012, o PicPay começou como uma carteira digital e hoje é o terceiro maior banco digital do Brasil em número de clientes, com mais de 65 milhões de contas. A estreia na Nasdaq vai além do setor financeiro: ela sinaliza um ambiente mais favorável ao investimento no Brasil, com reflexos que também chegam ao agronegócio e às decisões de quem produz no campo.