MERCADO FINANCEIRO
PicPay estreia na segunda maior bolsa de valores do mundo e reacende mercado de IPOs
Primeira abertura de capital de empresa brasileira em quatro anos nos Estados Unidos sinaliza retomada do interesse dos investidores

FOTO: 2026 Nasdaq, Inc. / Vanja Savic
A estreia do PicPay na segunda maior bolsa de valores do mundo, a Nasdaq, marcou um ponto de virada para o mercado de capitais brasileiro. A operação encerra um período de quatro anos sem IPOs de empresas do País nos Estados Unidos e reacende o interesse de investidores internacionais pelo Brasil, segundo informações divulgadas pela CNN nesta quinta-feira (29/1),
Na oferta pública inicial, o PicPay levantou US$ 434 milhões, valor que pode chegar a US$ 499 milhões com o exercício do lote adicional, conhecido como greenshoe. As ações foram precificadas a US$ 19, no topo da faixa indicativa, o que sinaliza forte demanda do mercado. Com isso, a fintech passou a ser avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões e começou a ser negociada sob o código PICS.
IPO volta ao radar e melhora o ambiente de investimentos
A abertura de capital rompe um hiato iniciado após a estreia do Nubank em Nova York, no fim de 2021. Desde então, o cenário global de juros elevados e maior aversão ao risco havia afastado empresas brasileiras do mercado acionário internacional.
Para o setor produtivo, incluindo o agronegócio, esse movimento é visto como um termômetro relevante. A retomada dos IPOs indica maior liquidez, melhora do ambiente econômico e potencial ampliação do acesso a crédito, fatores que impactam diretamente investimentos no campo, tecnologia, financiamento e gestão financeira das propriedades rurais.
Demanda elevada e investidores estratégicos
A operação foi coordenada por Citigroup, Bank of America e Royal Bank of Canada. Um dos destaques foi a participação da gestora Bicycle Capital, liderada por Marcelo Claure, que garantiu a compra de US$ 75 milhões em ações na oferta. A gestora terá assento no conselho de administração da companhia, sem acordo de controle.
Com a abertura de capital, a J&F Investimentos, controladora do PicPay, reduziu sua participação para cerca de 70%, mantendo o controle por meio de ações com direito a voto múltiplo.

Cerimônia de abertura de capital em Nova Iorque. FOTO: 2026 Nasdaq, Inc. / Vanja Savic
Discurso de estreia e planos de crescimento
Durante a cerimônia de toque do sino em Nova York, o CEO do PicPay, Eduardo Chedid, destacou que a listagem representa o início de um novo ciclo para a empresa. “A listagem na Nasdaq não é a linha de chegada. É apenas o início de um novo e empolgante capítulo da nossa história”, afirmou.
Segundo a companhia, os recursos captados serão destinados a investimentos, projetos de expansão, capital de giro e à aquisição da seguradora Kovr.

A operação representa mais um marco para os irmãos Batista, também controladores da JBS. 2026 Nasdaq, Inc. / Vanja Savic
Fintechs brasileiras ganham espaço no exterior
A repercussão do IPO foi destaque na imprensa internacional. O Financial Times ressaltou que a operação representa mais um marco para os irmãos Batista, também controladores da JBS, e reforça o momento favorável para empresas brasileiras no mercado externo.
O cenário positivo também é refletido no desempenho de pares do setor, como bancos digitais listados nos Estados Unidos, e pode abrir espaço para novas estreias.
Fundado em 2012, o PicPay começou como uma carteira digital e hoje é o terceiro maior banco digital do Brasil em número de clientes, com mais de 65 milhões de contas. A estreia na Nasdaq vai além do setor financeiro: ela sinaliza um ambiente mais favorável ao investimento no Brasil, com reflexos que também chegam ao agronegócio e às decisões de quem produz no campo.



