COMÉRCIO INTERNACIONAL
O que muda com o acordo UE-Mercosul? Veja 5 pontos-chave do agronegócio brasileiro
Tratado previsto para entrar em vigor em 2026 amplia o acesso ao mercado europeu e eleva o nível de exigência para a pecuária brasileira

FOTO: Ricardo Stuckert/PR
A entrada em vigor provisória do acordo entre União Europeia e Mercosul, prevista para 2026, deve provocar mudanças profundas no agronegócio brasileiro, com reflexos diretos sobre a pecuária. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado redefine o acesso ao mercado europeu e impõe um novo patamar de exigência regulatória, ambiental e sanitária para os produtores rurais.
Para o pecuarista, o acordo representa uma combinação de oportunidade e pressão. De um lado, abre espaço para ampliar as exportações de carne bovina. De outro, exige adaptação rápida a regras mais rigorosas de rastreabilidade, sustentabilidade e segurança jurídica.
Segundo Igor Fernandez de Moraes, sócio do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito do Agronegócio, o tratado deve ser encarado como um divisor de águas. “O produtor brasileiro passa a competir em um ambiente com regras mais claras, porém muito mais exigentes. Quem não estiver preparado, fica para trás”, avalia.
O impacto do acordo na pecuária brasileira
Um dos pontos mais relevantes do acordo é a ampliação das cotas para produtos agropecuários, incluindo a carne bovina, que poderá acessar o mercado europeu com tarifas reduzidas. No entanto, esse acesso ocorre dentro de limites quantitativos e sob mecanismos de proteção aos produtores europeus.
“Essas salvaguardas permitem que a União Europeia suspenda benefícios caso identifique prejuízos às suas cadeias produtivas. Isso traz oportunidades, mas também exige planejamento estratégico e leitura constante do mercado”, explica Fernandez.
Além disso, o acordo não flexibiliza as exigências ambientais e sanitárias da União Europeia. Pelo contrário: reforça padrões rigorosos relacionados ao controle de origem, uso de insumos e comprovação de sustentabilidade da produção.
“O pecuarista precisará demonstrar, com dados e documentação, que sua produção atende às regras internacionais. A rastreabilidade deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico”, afirma o especialista.
5 pontos do acordo UE-Mercosul que impactam o agronegócio brasileiro
- Ampliação de cotas para produtos agropecuários
A carne bovina brasileira ganha maior acesso ao mercado europeu, mas dentro de volumes controlados, o que exige planejamento de oferta e estratégia comercial. - Exigências ambientais e sanitárias mais rígidas
O acordo mantém os padrões elevados da União Europeia, reforçando a necessidade de rastreabilidade, controle sanitário e sustentabilidade na produção pecuária. - Cláusulas de salvaguarda comercial
Benefícios tarifários podem ser suspensos em caso de crescimento acelerado das exportações, aumentando a importância da previsibilidade e da análise de mercado. - Maior concorrência internacional
O pecuarista brasileiro enfrentará pressão crescente por qualidade, padronização e eficiência para competir com produtores de outros países. - Valorização da governança e da segurança jurídica no campo
Investimentos em compliance, certificações e assessoria técnica e jurídica passam a ser decisivos para a permanência no mercado internacional.
Apesar dos desafios, a avaliação é que o acordo pode reposicionar o Brasil como fornecedor estratégico de proteína animal. “O produtor que se antecipar às exigências transforma obrigação em vantagem competitiva”, conclui Fernandez.



