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Recuperação de pastagens pode cair de 24 para 11 meses, aponta experimento

Estudo realizado em sistema silvipastoril no Tocantins mostra que o manejo da fertilidade do solo pode reduzir quase pela metade o tempo de recuperação de pastagens degradadas e acelerar o retorno dos bovinos ao pastejo

Cassia Carolina Cassia Carolina 23 de julho de 2026 às 13h45

A recuperação de pastagens é um dos caminhos mais eficientes para aumentar a produtividade da pecuária brasileira sem expandir a área de produção. Um experimento realizado em Dueré (TO) demonstrou que o manejo adequado da fertilidade do solo foi capaz de reduzir de aproximadamente 24 para apenas 11 meses o período necessário para recuperar uma pastagem degradada, antecipando o retorno dos animais ao pastejo e ampliando o potencial produtivo da propriedade.

O estudo foi conduzido pela Massari Fértil e Morro Verde em uma área de sistema silvipastoril, modelo que integra árvores, pastagem e criação de bovinos na mesma área. Além de proporcionar conforto térmico ao rebanho e contribuir para a conservação do solo, o sistema pode apresentar ganhos ainda maiores quando associado à construção da fertilidade.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), aproximadamente 28 milhões de hectares de pastagens no Brasil apresentam algum grau de degradação. Esse cenário reduz a capacidade de suporte das áreas, compromete o desempenho dos animais e limita a rentabilidade das propriedades.

Manejo da fertilidade acelerou a recuperação da área

Para recuperar a pastagem, foi realizada a aplicação superficial de três toneladas por hectare do condicionador de solo DGMS+, tecnologia desenvolvida pela Massari Fértil e Morro Verde para promover a correção e a construção da fertilidade dos solos tropicais.

Após 11 meses, a área já apresentava condições para receber novamente os bovinos, reduzindo em quase 50% o tempo normalmente necessário para a recuperação da pastagem.

Antes da intervenção, a análise química indicava um cenário típico de degradação. O solo apresentava pH de 4,5, baixos níveis de fósforo, cálcio e magnésio e elevada presença de alumínio tóxico, fator que dificulta o desenvolvimento das raízes e reduz o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

Indicadores do solo apresentaram melhora significativa

A avaliação realizada ao final dos 11 meses mostrou uma evolução expressiva dos indicadores de fertilidade.

O pH do solo passou de 4,5 para 5,4 nas camadas de 0 a 20 centímetros e de 20 a 40 centímetros. O teor de fósforo disponível aumentou de 6 para 33 ppm na camada superficial e também registrou incremento na subsuperfície, demonstrando maior distribuição do nutriente ao longo do perfil do solo.

Outro resultado importante foi a eliminação do alumínio tóxico nas duas profundidades avaliadas. Já a saturação por bases (V%), um dos principais parâmetros utilizados para medir a fertilidade do solo, passou de 17% para 78% na camada superficial e atingiu 72% entre 20 e 40 centímetros de profundidade.

Além de reduzir o tempo de recuperação da área, a melhoria da fertilidade favorece maior produção de forragem, amplia a capacidade de suporte da pastagem e proporciona maior estabilidade ao sistema produtivo durante o ano.

“Recuperar a fertilidade do solo significa restabelecer a capacidade produtiva da pastagem. Quanto mais rapidamente isso ocorre, menor é o tempo de imobilização da área e maior o retorno econômico para o produtor”, afirma Cláudio Monteiro, químico da Massari Fértil e Morro Verde.

Recuperação de pastagens é estratégia para aumentar a produtividade

A Embrapa destaca que investir na recuperação de pastagens está entre as principais estratégias para expandir a produção pecuária de forma sustentável. Ao elevar a produtividade de áreas já consolidadas, o produtor reduz a necessidade de abertura de novas áreas, melhora a eficiência da fazenda e fortalece a sustentabilidade da atividade.

Para Cláudio Monteiro, os resultados do experimento reforçam a importância do manejo da fertilidade como ferramenta para aumentar a eficiência dos sistemas integrados de produção.

“O sistema silvipastoril reúne importantes benefícios ambientais e produtivos. Quando associado a um manejo adequado da fertilidade do solo, é possível acelerar a recuperação das pastagens, elevar a produtividade e aumentar a estabilidade do sistema ao longo do tempo”, destaca.

O experimento foi acompanhado tecnicamente pela engenheira florestal Ellen, responsável pelo monitoramento da área em Dueré (TO). Segundo a Massari Fértil e Morro Verde, os resultados reforçam o potencial das tecnologias voltadas à correção e construção da fertilidade dos solos tropicais como aliadas da pecuária, permitindo recuperar áreas degradadas em menos tempo e aumentar a eficiência da produção.

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