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A pecuária asinina do Nordeste ganhou um novo aliado para a conservação genética e o desenvolvimento dos rebanhos. Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) produziram, pela primeira vez, embriões de jumentos in vitro, resultado considerado inédito no mundo para animais desse ecótipo.
O avanço foi obtido a partir de oócitos de jumentas coletados durante uma visita técnica à Fazenda Jegue Land, no interior da Bahia. O material seguiu para o Laboratório de Reprodução de Animais de Produção (Reprolab), do Departamento de Zootecnia da UFV, em Minas Gerais, onde passou pelas etapas necessárias para a produção dos embriões.
Além do caráter científico, a pesquisa abre perspectivas para um desafio importante da criação de jumentos no Nordeste: preservar a diversidade genética dos animais e, ao mesmo tempo, ampliar o uso de indivíduos com características zootécnicas de interesse.
Tecnologia aplicada à reprodução dos jumentos
Para produzir os embriões, os pesquisadores utilizaram a técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI), uma das biotecnologias avançadas empregadas atualmente na reprodução de equídeos.
O procedimento consiste na introdução de um único espermatozoide diretamente no interior do oócito com equipamentos de micromanipulação. Nove dias após o início do cultivo, os primeiros embriões obtidos com os oócitos coletados na propriedade baiana foram vitrificados.
A vitrificação utiliza um processo de congelamento ultrarrápido que possibilita conservar os embriões para utilização futura. O resultado ganha relevância principalmente porque os protocolos científicos voltados à reprodução de asininos ainda são menos consolidados quando comparados aos existentes para equinos.
O que a pesquisa pode representar para a pecuária asinina?
A produção de embriões de jumentos em laboratório pode permitir a preservação do material genético de animais de interesse e acelerar a multiplicação de indivíduos que apresentem características consideradas importantes para os criadores.
Na prática, a tecnologia tem potencial para contribuir com a conservação da diversidade genética do jumento Nordestino e, futuramente, auxiliar programas de seleção e melhoramento.
Outro ponto é a possibilidade de ampliar a contribuição genética de animais selecionados para as próximas gerações, favorecendo uma estruturação mais rápida e sustentável dos rebanhos.
A pesquisa também aproxima ferramentas de reprodução assistida já utilizadas em outras espécies de uma criação fortemente ligada à história e à atividade rural nordestina.
Pesquisa reúne universidades e atividade produtiva
O estudo faz parte do projeto de mestrado de Frederico Freitas, aluno do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFV, orientado pela professora Yamê Fabres, do Departamento de Zootecnia.
A pesquisa é realizada em parceria com a Fazenda Jegue Land, que disponibiliza animais, estrutura e condições de campo para os trabalhos científicos. A primeira coleta contou ainda com a participação dos pesquisadores Gustavo Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE).
Segundo Yamê Fabres, os resultados do primeiro teste piloto foram considerados promissores, principalmente diante do desafio de adaptar a técnica às particularidades reprodutivas dos asininos.
Além da conservação genética, o trabalho inaugura uma linha de pesquisa na UFV dedicada à produção in vitro de embriões da espécie. A proposta é gerar conhecimento, formar profissionais especializados e desenvolver protocolos específicos para os jumentos.
Próximo passo é buscar as primeiras gestações
Com os primeiros embriões produzidos, a pesquisa entra agora em uma nova fase. Os cientistas pretendem continuar os experimentos para aperfeiçoar o protocolo e aumentar a eficiência da produção in vitro.
À medida que a técnica avançar, a expectativa é transferir os embriões para jumentas e mulas receptoras e avaliar o estabelecimento das gestações.
O objetivo seguinte será chegar ao nascimento dos primeiros animais provenientes da técnica, etapa que poderá consolidar uma nova ferramenta para conservação, reprodução e melhoramento dos jumentos.
A parceria entre universidade, pesquisadores e propriedade rural também mostra como ciência e atividade produtiva podem caminhar juntas para fortalecer a pecuária asinina e preservar um recurso genético diretamente ligado ao Nordeste brasileiro.