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O Brasil pode ultrapassar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial nas exportações agrícolas em 2026, segundo projeção do Financial Times. A perspectiva reforça a importância do agronegócio brasileiro no comércio internacional e pode abrir novas oportunidades para a pecuária, especialmente para a cadeia produtiva da carne bovina, que já possui forte presença no mercado externo.
Em 2025, as exportações do agronegócio atingiram o recorde de US$ 169,2 bilhões, crescimento de 3% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O setor representou 48,5% das vendas externas brasileiras, tendo a China como principal destino, com US$ 55,3 bilhões, seguida pela União Europeia, com US$ 25,2 bilhões, e pelos Estados Unidos, com US$ 11,4 bilhões.
Para os pecuaristas, o avanço brasileiro no comércio internacional representa uma perspectiva positiva, mas também exige atenção às novas regras de rastreabilidade, às condições de financiamento e às exigências dos países importadores.
Pecuária pode ampliar oportunidades no mercado internacional
O crescimento das exportações agrícolas e a diversificação dos mercados compradores podem favorecer a cadeia da carne bovina brasileira, criando oportunidades para frigoríficos, exportadores e produtores rurais.
Entretanto, a expansão comercial também aumenta a necessidade de segurança jurídica nas negociações, especialmente em contratos internacionais que envolvem prazos de entrega, qualidade dos produtos e responsabilidades logísticas.
Segundo Cristiane Secco, sócia-gestora do Albuquerque Melo Advogados, o avanço do agronegócio exige estruturas comerciais mais preparadas para acompanhar o crescimento do setor.
“O agro brasileiro cresceu em volume, ampliou mercados e passou a operar com estruturas de financiamento mais complexas. Mas ainda encontramos operações relevantes sustentadas por contratos que não acompanharam essa evolução”, afirma.
Rastreabilidade será fundamental para exportações de carne bovina
Entre os principais desafios para a pecuária está a adequação às exigências da União Europeia. O Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) estabelece critérios de rastreabilidade e comprovação de origem para determinadas mercadorias, incluindo bovinos e produtos derivados abrangidos pela legislação.
Conforme o cronograma apresentado no release, a aplicação das regras está prevista para 30 de dezembro de 2026 para operadores de grande e médio porte.
Na prática, as exigências podem impactar toda a cadeia produtiva, aumentando a necessidade de documentação sobre a origem dos animais e de comprovação do cumprimento dos requisitos ambientais aplicáveis.
“As exigências socioambientais deixaram de ser declarações genéricas nos contratos. Em determinados mercados, o produtor precisa comprovar a origem da mercadoria e demonstrar que atende aos requisitos aplicáveis”, explica Cristiane.
Para os pecuaristas que integram cadeias exportadoras, a rastreabilidade tende a ganhar ainda mais importância na manutenção do acesso a mercados internacionais.
Crédito rural e seguro ganham destaque no setor
Além das mudanças no comércio exterior, o financiamento da produção também acompanha o crescimento do agronegócio. O Plano Safra 2026/2027 destinou R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, aproximadamente R$ 9 bilhões a mais que no ciclo anterior.
Outra novidade é a Lei 15.526/2026, publicada em setembro, que prevê mecanismos de integração do seguro rural às garantias das operações de crédito, conforme as condições regulamentares.
A medida busca fortalecer a estrutura das operações financeiras, mas também exige atenção dos produtores quanto à formalização dos contratos e às garantias utilizadas.
Segundo Cristiane, instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR), o penhor rural e o seguro precisam ser organizados de maneira coordenada para evitar conflitos e dificuldades na execução dos financiamentos.
Brasil fortalece posição no comércio global
A possibilidade de o Brasil superar os Estados Unidos nas exportações agrícolas reforça o potencial do país como fornecedor mundial de alimentos. Para a pecuária, esse cenário pode representar novas oportunidades de comercialização da carne bovina, especialmente diante da diversificação dos mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, o crescimento das exportações exige que produtores e empresas acompanhem as transformações do setor, principalmente em relação à rastreabilidade, à segurança das negociações e às exigências socioambientais.
Com isso, a competitividade da pecuária brasileira dependerá não apenas da capacidade de produção, mas também da adaptação às demandas dos compradores internacionais, fortalecendo a presença da carne bovina nacional no mercado global.