Égua viva mais velha do mundo é reconhecida pelo Guinness aos 37 anos
Fancy recebeu o reconhecimento oficial nesta quarta-feira (25/2) e se tornou símbolo de longevidade, manejo e vínculo construído ao longo de quase quatro décadas
Por Cássia Carolina
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A longevidade animal ganhou destaque internacional nesta quarta-feira (25/2), após o site do Guinness World Records divulgar oficialmente o reconhecimento de Fancy como a égua viva mais velha do mundo.
FOTO: Arquivo pessoal
Aos 37 anos e 329 dias, a égua que vive em Aldie, na Virgínia (EUA), passou a integrar a lista de recordes mundiais, superando a marca anterior registrada pela instituição.
Nascida em 1º de abril de 1988, Fancy ultrapassou a expectativa média de vida da raça American Quarter Horse, que normalmente varia entre 25 e 35 anos.
Ela conheceu a égua em um centro de treinamento na Virgínia e, segundo o relato publicado pelo Guinness, a conexão foi imediata. Na época, Fancy ainda se chamava “Josey Wales”.
Após participar de uma competição no local e demonstrar maturidade para assumir a responsabilidade, Paige teve a confirmação que esperava: seus pais compraram a égua em junho de 2000.
Na época, ela tinha oito anos. Fancy, tinha 12. “Meu treinador me levou até a baia da Fancy e perguntou o que eu diria se ele me contasse que meu pai tinha acabado de comprá-la para mim…” relembra a mulher, em entrevista ao site do Guinness World Records “Foi um dos melhores momentos da minha vida.
“Eu rapidamente mudei o nome de Josey Wales para Fancy. Disse aos meus pais que ela era ‘chique demais para ter um nome tão feio’. E o nome pegou! A partir daquele dia, ela se tornou um membro essencial da família”, completa.
Paige recebendo prêmio de equitação com Fancy, quando era criança. FOTO: Arquivo pessoal
Uma vida construída lado a lado
Desde então, as duas nunca mais se separaram. Paige cresceu, construiu carreira com formação na área veterinária, formou família e atravessou diferentes fases da vida ao lado da égua.
As duas, inclusive, fazem aniversário no mesmo dia, um detalhe simbólico que reforça o vínculo construído ao longo de quase quatro décadas.
Fancy acompanhou a infância, adolescência e vida adulta da tutora. E, recentemente, viveu um momento que Paige descreve como “um ciclo completo”: conhecer a filha da sua dona.
Filha de Paige beijando Fancy. FOTO: Arquivo pessoal
Manejo e adaptação na fase idosa: saúde monitorada de forma contínua
Com quase 38 anos, Fancy enfrenta desafios naturais do envelhecimento, como a Doença de Cushing e limitações digestivas.
Sua alimentação passou a ser cuidadosamente ajustada. Ela recebe feno com baixo teor de carboidratos não estruturais (NSC), ração umedecida e suplementação constante.
O acompanhamento inclui clínico geral, especialista em medicina interna, oftalmologista e ferrador fixo, uma rotina que demonstra planejamento e constância.
Com a perda parcial da visão, Fancy ganhou uma companheira inseparável: uma pequena jumenta chamada Rosie, adquirida para auxiliá-la na rotina.
As duas passam os dias alternando momentos ao sol, descanso e caminhadas leves pela propriedade. Segundo a tutora, a convivência trouxe ainda mais tranquilidade à fase atual da égua.
Fancy, Rosie e Paige com o certificado do Guinness World Records. FOTO: Arquivo pessoal
Longevidade não acontece por acaso
A história de Fancy vai além do recorde internacional. Ela reforça uma mensagem importante também para o público do campo: longevidade é resultado de manejo, assistência técnica e adaptação à fase de vida.
Não houve “fórmula secreta”, segundo Paige, mas sim constância no cuidado, confiança na equipe veterinária e respeito às necessidades do animal ao longo dos anos.
O caso também levanta uma reflexão relevante. Muitos animais são valorizados apenas durante sua fase produtiva. A trajetória da égua americana mostra que o compromisso com bem-estar e responsabilidade sanitária deve permanecer até a velhice.
Fancy, Paige, Rosie, marido e filha em foto ensolarada. FOTO: Arquivo pessoal
Um símbolo de vínculo e responsabilidade
Hoje, Fancy segue sua rotina tranquila na fazenda, cercada pela tutora, pela filha de Paige e por sua companheira Rosie.
O título de égua viva mais velha do mundo, concedido pelo Guinness World Records, consolida não apenas uma marca histórica, mas uma história construída com cuidado técnico e presença constante. Para o produtor rural, o recado é direto: longevidade é planejamento ao longo do tempo.