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SUSTENTABILIDADE NO CAMPO

Agro brasileiro lidera modelo sustentável que une pecuária, produção e preservação

Integração produtiva, agricultura regenerativa e ciência colocam o Brasil na dianteira da produção com responsabilidade ambiental

Por Cássia Carolina
19 de fevereiro de 2026 às 11h09
Agro brasileiro lidera modelo sustentável que une pecuária, produção e preservação

FOTO: Divulgação

O agro brasileiro consolida sua posição como referência global ao demonstrar que é possível ampliar a produção de alimentos sem abrir mão da preservação ambiental. Com base técnica, ciência aplicada e gestão eficiente, produtores rurais vêm adotando sistemas produtivos que unem rentabilidade e responsabilidade ambiental.

Para o pecuarista, isso significa produzir mais por hectare, recuperar áreas degradadas e ganhar competitividade em um mercado cada vez mais exigente.

Integração lavoura-pecuária-floresta fortalece a pecuária

Um dos principais exemplos desse avanço é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que já ocupa cerca de 21 milhões de hectares no Brasil. O modelo permite múltiplos ciclos produtivos na mesma área, aproveitando as condições climáticas favoráveis do país, como regime de chuvas, temperaturas e insolação ao longo do ano.

Segundo Francisco Matturro, presidente-executivo da Rede ILPF, a sustentabilidade só se mantém quando há equilíbrio entre resultado econômico e responsabilidade ambiental.

“Não existe sustentabilidade ambiental sem sustentabilidade econômica. O produtor precisa ter resultado para continuar investindo, preservando e gerando desenvolvimento nas regiões onde atua.”

Na prática, os sistemas integrados têm proporcionado:

  • Recuperação de áreas degradadas

  • Aumento da produtividade

  • Sequestro de carbono

  • Proteção de nascentes e matas ciliares

Para a pecuária, isso representa solo mais equilibrado, melhor oferta de pastagem e maior estabilidade produtiva ao longo do ano.

Agricultura regenerativa coloca o agro brasileiro na dianteira

O agro brasileiro também avança com práticas de agricultura regenerativa, como o plantio direto, o uso de biológicos e o manejo adequado do solo. Essas técnicas reduzem custos, diminuem a dependência de insumos importados e contribuem para a mitigação das emissões.

De acordo com Fernando Nauffal Filho, consultor da Fundepag, a própria fotossíntese é aliada no combate às mudanças climáticas quando os sistemas produtivos são bem manejados. O uso de micro-organismos e o cuidado com a cobertura do solo fortalecem a fertilidade natural e aumentam a eficiência produtiva.

Brasil tem papel estratégico na segurança alimentar global

FOTO: Divulgação

Sustentabilidade como fator de competitividade

O mercado internacional tem incorporado exigências ambientais cada vez mais rigorosas, transformando a sustentabilidade em critério de acesso a mercados. Nesse cenário, o agro brasileiro não apenas atende às demandas, mas utiliza esse diferencial como vantagem competitiva.

Produzir de forma responsável passou a ser condição estratégica para agregar valor, manter contratos comerciais e garantir renda no campo. Para o pecuarista, isso impacta diretamente na valorização da arroba e na inserção em cadeias produtivas mais estruturadas.

Comunicação e difusão tecnológica ainda são desafios

Apesar dos avanços técnicos, ainda há desinformação sobre como funciona a produção agropecuária no Brasil, especialmente nos grandes centros urbanos. Com mais de 80% da população vivendo nas cidades, o distanciamento entre campo e sociedade contribui para percepções superficiais sobre o setor.

Especialistas defendem maior investimento em comunicação e difusão tecnológica, principalmente para pequenos produtores, ampliando o acesso à informação qualificada e fortalecendo a imagem do agro brasileiro como referência mundial em produção com responsabilidade ambiental.