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GENÉTICA E VALOR AGREGADO

Brasil ganha selo inédito para impulsionar o mercado de carnes premium

Selo Beef on Dairy une genética, ciência e cruzamento industrial para gerar carne diferenciada e ampliar renda no campo

Por Cássia Carolina
23 de janeiro de 2026 às 11h11
Brasil ganha selo inédito para impulsionar o mercado de carnes premium

FOTO: Edu Rocha l Divulgação

O mercado brasileiro de carnes premium passa a contar com um novo instrumento de valorização da produção pecuária. O selo Beef on Dairy, desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus com participação técnico-científica da Embrapa, aposta no cruzamento de vacas leiteiras com touros Angus para qualificar a carne produzida no país. As informações foram divulgadas pelo órgão na última terça-feira (20/1).

A estratégia, já consolidada em mercados internacionais, incentiva o cruzamento de vacas das raças Holandesa e Jersey com reprodutores de corte, gerando animais com melhor padrão de carcaça e maior valor agregado. Além de atender à demanda por cortes nobres, o modelo cria uma nova alternativa de renda para produtores de leite, que passam a diversificar a comercialização dos animais.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, o selo representa um avanço importante para a cadeia da carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. O produtor se beneficia e o consumidor passa a ter acesso a uma carne diferenciada”, afirma.

Base científica garante qualidade e segurança

A contribuição da Embrapa foi fundamental para dar solidez técnica ao projeto. De acordo com Fernando Cardoso, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, o selo só foi possível graças ao rigor científico aplicado ao processo de seleção genética.

“Desenvolvemos critérios técnicos e índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. Esse rigor é o que garante que o selo represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, explica.

Bovinos Angus

Bovinos Angus. FOTO: Fernando Goss l Divulgação

O trabalho da Embrapa ocorre por meio do Promebo, programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores. Os índices consideram características como crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça, diretamente ligadas ao rendimento frigorífico e à qualidade da carne.

Para atender às particularidades das raças leiteiras, o selo foi estruturado em dois modelos: um voltado ao Jersey, com atenção especial ao tamanho do bezerro no parto, e outro ao Holandês, considerando o porte naturalmente maior da raça.

Bovinos leiteiros das raças Jersey e Holandesa

Bovinos leiteiros das raças Jersey e Holandesa. FOTO: Divulgação l Embrapa

Transparência ao produtor e confiança ao mercado

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e da ANC, o selo atende a uma demanda do próprio setor. “Foram criados parâmetros claros, garantindo segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, destaca.

Segundo a entidade, o selo Beef on Dairy já está disponível para centrais de sêmen e criadores que utilizam reprodutores enquadrados nos critérios técnicos. Os touros certificados podem ser consultados no sistema público Origen, da ANC. Clique aqui para conferir.