SETOR LEITEIRO

Compra emergencial de leite em pó da Conab destina R$ 106 milhões para aliviar crise no setor leiteiro

Medida busca reduzir excesso de oferta, garantir renda ao produtor e fortalecer a cadeia do leite, com foco nos estados do Sul

Por Cássia Carolina

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou, no dia 23 de dezembro deste ano, a destinação de até R$ 106 milhões para a compra emergencial de leite em pó, medida que chega em um momento decisivo para os pecuaristas brasileiros, especialmente os da região Sul, principal polo produtor do país.

Compra emergencial de leite em pó da Conab destina R$ 106 milhões para aliviar crise no setor leiteiro

FOTO: Divulgação l Conab

A operação será executada de forma imediata por meio da Compra Institucional (CI) do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e prevê a aquisição de mais de 2,5 mil toneladas de leite em pó, o equivalente a mais de 20 milhões de litros de leite integral. O objetivo central é reduzir o excesso de oferta no mercado, aliviar a pressão sobre os preços pagos ao produtor e garantir a continuidade da atividade leiteira.

O anúncio foi feito pelo presidente da Conab, Edegar Pretto, durante reunião com representantes do setor leiteiro, realizada na Superintendência Regional da Companhia no Rio Grande do Sul. Segundo ele, a compra emergencial de leite em pó é resultado de um esforço conjunto entre a Conab e o Governo Federal para atender um setor estratégico para a economia e para a segurança alimentar do país.

“Essa ação busca enxugar parte do mercado, criando condições para que os preços pagos aos produtores voltem a patamares mais justos. É fruto de uma intensa mobilização em defesa do setor leiteiro”, destacou Pretto.

O Brasil é o terceiro maior produtor de leite do mundo, com produção concentrada principalmente em Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estados que respondem por cerca de 70% da produção nacional. Dados do IBGE mostram que 98% dos produtores de leite são pequenos pecuaristas, com produção diária de até 500 litros, responsáveis por 70% do volume produzido no país.

Nesse contexto, a compra emergencial de leite em pó prioriza associações e cooperativas da agricultura familiar de sete estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Alagoas, Sergipe e Goiás. Apenas o Rio Grande do Sul concentrará 44% dos recursos, com investimento de R$ 47 milhões.

Além disso, a operação traz mudanças importantes para os produtores: o limite financeiro por família foi ampliado de R$ 15 mil para R$ 30 mil, e o teto por organização foi multiplicado por quatro, permitindo que cada entidade atenda até 200 famílias.

Preços e impacto no mercado

Atualmente, o preço mínimo de referência do leite, definido pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), é de R$ 1,88 por litro, enquanto o valor médio pago pelo mercado gira em torno de R$ 2,22. Na operação de compra emergencial de leite em pó, a Conab irá pagar cerca de R$ 41,89 por quilo, valor calculado com base nos preços regionais e nos custos operacionais.

Para lideranças do setor, a medida chega em boa hora. O presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, destacou que o apoio ajuda a reduzir a oferta no mercado interno, agravada pelo aumento das importações. Já representantes de cooperativas afirmam que a iniciativa traz alívio imediato e melhora o escoamento da produção.

Destinação do leite e resposta rápida

Os recursos da operação foram repassados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O leite em pó adquirido será destinado a populações em situação de insegurança alimentar, além de atender ações emergenciais, como o suporte a regiões afetadas por catástrofes climáticas.

Com caráter emergencial, a estimativa é atender cerca de 25 entidades em todo o país. O prazo para cadastramento das organizações interessadas segue até 28 de dezembro, por meio do sistema PAANet, conforme orientações disponíveis no site oficial da Conab.

A compra emergencial de leite em pó reforça o papel da Conab no apoio ao pecuarista, na estabilização do mercado e na garantia de renda ao produtor rural, ao mesmo tempo em que contribui para o combate à fome no Brasil.

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