MERCADO DO COURO
Couro bovino enfrenta excesso de oferta e menor demanda externa no início de 2026
Com abate elevado sustentando a produção e queda nas compras da China, mercado começa o ano travado e com preços estáveis

FOTO: Ilustrativa l Freepik
O mercado de couro bovino começou 2026 sob pressão. Dados divulgados nesta última sexta-feira (13/02) pela Scot Consultoria mostram um cenário de excesso de oferta, exportações mais fracas e preços estáveis no início do ano.
Para o pecuarista, o movimento indica um mercado travado, com maior disponibilidade interna e dependente de reação da demanda externa para mudar o rumo.
No Brasil Central, o couro bovino verde de primeira linha está negociado a R$ 0,60/kg, enquanto o couro comum vale R$ 0,50/kg. No Rio Grande do Sul, o produto está cotado a R$ 0,90/kg, à vista e sem impostos. Até o momento, não há força suficiente para valorização, reflexo direto do aumento na oferta.
Abate elevado mantém mercado abastecido
A oferta de couro bovino acompanha o ritmo forte dos abates, que estão acima da média dos últimos cinco anos.
Em janeiro:
- Peso médio da carcaça: 262,25 kg
- Peso vivo estimado: 524,5 kg
- Couro representa cerca de 10% do peso vivo
- Produção média por animal: 52,45 kg
Com uma estimativa inicial de 3,15 milhões de cabeças abatidas sob inspeção federal (SIF), a produção bruta deve ficar entre 145 mil e 165 mil toneladas. O volume é semelhante ao registrado em janeiro de 2025, mantendo o mercado amplamente abastecido.
Exportações recuam 15,9% e China reduz compras
O mercado externo absorveu cerca de 49,7 mil toneladas em janeiro, representando entre 30,1% e 34,3% da produção total. O volume exportado foi 15,9% menor que no mesmo período de 2025, quando os embarques somaram 59,1 mil toneladas.
A retração está ligada à redução das compras da China, responsável por 47,9% do volume exportado. A queda nas aquisições chinesas foi de 17,6% na comparação anual. Entre os três principais destinos, China, Estados Unidos e Itália, apenas os Estados Unidos ampliaram as compras.
Maior disponibilidade no mercado interno
Com a demanda externa mais fraca, o couro bovino permanece mais disponível no mercado doméstico em relação aos anos anteriores.
Esse cenário sustenta a expectativa de:
- Estabilidade nos preços no curto prazo
- Possível pressão de baixa caso a oferta continue elevada
- Dependência de recuperação das exportações para reação do mercado
O que pode mudar o cenário?
O comportamento do couro bovino ao longo de 2026 dependerá principalmente de três fatores:
- Ritmo dos abates nos próximos meses
- Recuperação das compras chinesas
- Ajuste mais consistente entre oferta e demanda
Enquanto esse equilíbrio não acontece, o mercado segue travado, com excesso de oferta e menor participação do mercado externo.
Para o pecuarista, o acompanhamento do setor segue importante, já que o couro influencia o resultado industrial e pode impactar, ainda que indiretamente, a formação de preços ao longo do ciclo.



