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MERCADO DO COURO

Couro bovino enfrenta excesso de oferta e menor demanda externa no início de 2026

Com abate elevado sustentando a produção e queda nas compras da China, mercado começa o ano travado e com preços estáveis

Por Cássia Carolina
15 de fevereiro de 2026 às 09h00
Couro bovino enfrenta excesso de oferta e menor demanda externa no início de 2026

FOTO: Ilustrativa l Freepik

O mercado de couro bovino começou 2026 sob pressão. Dados divulgados nesta última sexta-feira (13/02) pela Scot Consultoria mostram um cenário de excesso de oferta, exportações mais fracas e preços estáveis no início do ano.

Para o pecuarista, o movimento indica um mercado travado, com maior disponibilidade interna e dependente de reação da demanda externa para mudar o rumo.

No Brasil Central, o couro bovino verde de primeira linha está negociado a R$ 0,60/kg, enquanto o couro comum vale R$ 0,50/kg. No Rio Grande do Sul, o produto está cotado a R$ 0,90/kg, à vista e sem impostos. Até o momento, não há força suficiente para valorização, reflexo direto do aumento na oferta.

Abate elevado mantém mercado abastecido

A oferta de couro bovino acompanha o ritmo forte dos abates, que estão acima da média dos últimos cinco anos.

Em janeiro:

  • Peso médio da carcaça: 262,25 kg

  • Peso vivo estimado: 524,5 kg

  • Couro representa cerca de 10% do peso vivo

  • Produção média por animal: 52,45 kg

Com uma estimativa inicial de 3,15 milhões de cabeças abatidas sob inspeção federal (SIF), a produção bruta deve ficar entre 145 mil e 165 mil toneladas. O volume é semelhante ao registrado em janeiro de 2025, mantendo o mercado amplamente abastecido.

Exportações recuam 15,9% e China reduz compras

O mercado externo absorveu cerca de 49,7 mil toneladas em janeiro, representando entre 30,1% e 34,3% da produção total. O volume exportado foi 15,9% menor que no mesmo período de 2025, quando os embarques somaram 59,1 mil toneladas.

A retração está ligada à redução das compras da China, responsável por 47,9% do volume exportado. A queda nas aquisições chinesas foi de 17,6% na comparação anual. Entre os três principais destinos, China, Estados Unidos e Itália, apenas os Estados Unidos ampliaram as compras.

Maior disponibilidade no mercado interno

Com a demanda externa mais fraca, o couro bovino permanece mais disponível no mercado doméstico em relação aos anos anteriores.

Esse cenário sustenta a expectativa de:

  • Estabilidade nos preços no curto prazo

  • Possível pressão de baixa caso a oferta continue elevada

  • Dependência de recuperação das exportações para reação do mercado

O que pode mudar o cenário?

O comportamento do couro bovino ao longo de 2026 dependerá principalmente de três fatores:

  1. Ritmo dos abates nos próximos meses

  2. Recuperação das compras chinesas

  3. Ajuste mais consistente entre oferta e demanda

Enquanto esse equilíbrio não acontece, o mercado segue travado, com excesso de oferta e menor participação do mercado externo.

Para o pecuarista, o acompanhamento do setor segue importante, já que o couro influencia o resultado industrial e pode impactar, ainda que indiretamente, a formação de preços ao longo do ciclo.