FOTO: Divulgação l MAPA
O avanço do El Niño e os possíveis reflexos do fenômeno sobre a produção agropecuária colocaram a gestão dos riscos climáticos no centro das estratégias do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Um relatório final elaborado por um grupo de trabalho criado para tratar do tema propõe medidas para reduzir perdas no campo e ampliar a capacidade de adaptação dos sistemas produtivos, com ações que também alcançam diretamente a pecuária. As informações foram divulgadas pelo Mapa nesta segunda-feira (28/9).
O documento foi entregue ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, na última quinta-feira (24/8), e reúne iniciativas para a safra 2026/2027, recomendações para os próximos ciclos produtivos e propostas permanentes de monitoramento e gestão dos riscos climáticos.
Para o pecuarista, entre os pontos de maior interesse estão o fortalecimento da segurança hídrica, a recuperação de pastagens degradadas, a adoção de sistemas produtivos mais resilientes e a ampliação do acesso a informações agroclimáticas para orientar decisões dentro da propriedade.
El Niño exige planejamento para reduzir riscos no campo
O relatório estabelece três horizontes de atuação diante do El Niño: ações imediatas para a safra 2026/2027, medidas direcionadas às próximas safras e iniciativas de caráter permanente.
Uma das propostas é consolidar uma estrutura de gestão de riscos climáticos extremos dentro do Mapa. A iniciativa deverá contar com um painel agroclimático para integrar informações, coordenar ações e apoiar estratégias de mitigação, adaptação e proteção aos produtores rurais.
Segundo André de Paula, a intenção é ampliar a capacidade permanente do Ministério de responder aos eventos climáticos.
“Essa é uma questão que não é mais excepcional e veio para ficar. Precisamos de planejamento, dotando o Ministério de instrumentos permanentes para enfrentar as situações decorrentes desse cenário”, afirmou o ministro.
Entre as medidas consideradas prioritárias também está o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com o objetivo de assegurar a disponibilidade da ferramenta antes da intensificação do plantio da safra de verão.
Pastagens e segurança hídrica entram nas estratégias
Entre as propostas com impacto direto para a pecuária está a aceleração do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis, o Caminho Verde.
O relatório também aponta para a aceleração da implementação do Plano ABC+, considerado, ao lado do Caminho Verde, uma política estruturante para adaptação e mitigação dos riscos climáticos no setor agropecuário.
De acordo com o coordenador do GT do El Niño, Bruno Leite, essas iniciativas podem contribuir para ampliar a adoção de tecnologias produtivas resilientes, além da assistência técnica, capacitação e financiamento.
A segurança hídrica também aparece entre as recomendações para os próximos ciclos produtivos. Para a pecuária, medidas relacionadas à disponibilidade de água, recuperação de pastagens e maior resiliência dos sistemas de produção ganham importância diante de cenários de maior risco climático.

FOTO: Divulgação l MAPA
Safra 2026/2027 terá ações regionalizadas
No curto prazo, a prioridade indicada pelo relatório é reduzir perdas na safra 2026/2027 por meio da disseminação de tecnologias de eficiência comprovada e já disponibilizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A estratégia prevê assistência técnica, orientações regionalizadas e monitoramento agroclimático para auxiliar produtores na adoção de práticas de manejo adequadas às condições de cada região.
Para as safras seguintes, o documento recomenda ampliar a adoção de sistemas produtivos resilientes, fortalecer a segurança hídrica e aperfeiçoar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), integrando a ferramenta às Boas Práticas Agrícolas (BPAs), ao crédito rural, ao seguro rural e ao Proagro.
Painel deve reunir alertas e orientações ao produtor
Entre as medidas permanentes está a consolidação, dentro do Mapa, de uma estrutura específica para a gestão dos riscos climáticos, apoiada por um painel integrado de informações.
A proposta prevê reunir dados climáticos e orientações de manejo em formato acessível, além de promover articulação institucional, monitoramento e análise de riscos, produção de boletins e alertas e apoio técnico à implementação das medidas.
A estrutura também deverá atuar em parceria com os estados e acompanhar os resultados das estratégias adotadas.
GT recebeu 163 medidas da Embrapa
O Grupo de Trabalho do El Niño foi instituído pela Portaria nº 928/2026 e contou com representantes de cinco secretarias do Mapa, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Embrapa.
Entre as atribuições do grupo estava a identificação das regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos possíveis efeitos do fenômeno climático. Durante os trabalhos, a Embrapa apresentou um conjunto de 163 medidas sistematizadas para apoiar a gestão dos riscos climáticos na agropecuária.
As recomendações consideram os possíveis impactos associados ao El Niño na safra 2026/2027 e incluem ações permanentes de prevenção, adaptação e redução de riscos no campo.
Com a entrega do relatório, as propostas reforçam a estratégia de preparação do setor agropecuário diante dos eventos climáticos, com medidas voltadas à redução de perdas e à ampliação de instrumentos que auxiliem o produtor rural na tomada de decisão.