PROTEÍNA DE ALTA QUALIDADE
Exportações de carne Angus alcançam 35 países e elevam o valor da genética no campo
Programa Carne Angus Certificada amplia presença internacional, melhora preços pagos ao produtor e reforça a força da genética Angus brasileira

FOTO: Carolina Jardine
A expansão das exportações de carne angus tem fortalecido o posicionamento da genética Angus brasileira no mercado internacional e gerado reflexos diretos na remuneração do pecuarista. Em 2025, o Programa Carne Angus Certificada alcançou 35 países compradores, ampliando a presença da carne premium brasileira em mercados estratégicos.
Ao longo do ano, o Brasil exportou 11,28 mil toneladas de carne angus certificada, com destaque para destinos como China, Israel, México e Chile, além da entrada de novos clientes, entre eles Guiana e Albânia. A diversificação dos mercados reforça a competitividade do produto e reduz a dependência de poucos destinos.
Segundo dados da Associação Brasileira de Angus, além do avanço nos embarques, a carne angus brasileira tem se destacado pelo ganho de valor. Os cortes certificados exportados chegaram a US$ 8.505 por tonelada, preço 53,5% superior ao da carne padrão exportação, evidenciando o reconhecimento internacional da qualidade da genética produzida no país.
Demanda internacional impulsiona a carne angus brasileira
De acordo com o diretor do Programa Carne Angus Certificada, Wilson Brochmann, o desempenho das exportações é resultado de uma combinação favorável entre mercado e capacidade produtiva.
“Tivemos uma conjunção de fatores que nos levou a esses resultados. O mundo demanda proteína de alta qualidade, e o Brasil é talvez o único país capaz de produzir em escala para atender esses mercados”, afirma. Brochmann destaca ainda que a redução da produção em países tradicionais de carne premium abriu espaço para o produto brasileiro ganhar mercado.
“Em 2025, tivemos queda de produção em tradicionais países produtores de carne premium e o Angus do Brasil seguiu conquistando mercados. Ainda há muito a ser feito, principalmente mirando clientes do Oriente Médio, que é uma região com grande poder aquisitivo e potencial para aquecer ainda mais os negócios”, completa.
No mix exportado, dez cortes se destacaram, com maior demanda por acém, peito, paleta e músculo, seguidos por costela, patinho, coxão mole, contra-filé, filé de costela e fraldinha, o que contribui para melhor aproveitamento da carcaça e maior eficiência econômica ao produtor.
Produção certificada sustenta crescimento das exportações
Para atender a esse mercado, a produção de carcaças Angus certificadas também avançou. Em 2025, o abate de animais chancelados pelo programa somou 612,21 mil cabeças, um crescimento de 20% em relação a 2024. Esse volume resultou na produção de 53 mil toneladas de cortes certificados, destinadas majoritariamente ao mercado interno (78,7%) e às exportações (21,3%).
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, o foco é manter o ritmo de crescimento e ampliar o valor entregue ao longo da cadeia.
“A Angus é reconhecida como a melhor carne do mundo porque entrega qualidade e sabor diferenciados. O Programa Carne Angus Certificada nos garante esse padrão em todo e qualquer corte que leva nosso selo”, ressalta.
Cairoli destaca que os reflexos do programa vão além da indústria e chegam diretamente ao campo. “No campo, os reflexos do sucesso da Carne Angus são sentidos na valorização das diferentes categorias, do terneiro ao boi gordo, além da comercialização de matrizes e touros”, afirma.

Programa Carne Angus Certificada. FOTO: Carolina Jardine
Presença nacional amplia acesso do produtor ao programa
Outro avanço importante registrado em 2025 foi o início dos abates no Nordeste, garantindo produção de carne angus certificada nas cinco regiões do Brasil. Segundo o gerente nacional do Programa Carne Angus, Maychel Borges, o desempenho do ano reflete uma valorização consistente do produto dentro dos frigoríficos.
“Os dados refletem um ano diferenciado, onde o produto Angus foi bem valorizado no frigorífico e permitiu ganhos aos produtores e parceiros”, explica.
Atualmente, o Programa Carne Angus Certificada conta com 30 parceiros, 60 plantas frigoríficas em operação e presença em 13 estados brasileiros, ampliando o acesso dos pecuaristas ao sistema de certificação.
Expectativa é de mercado aquecido em 2026
Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento das exportações e da valorização da carne angus, com a entrada de novos parceiros e ampliação dos mercados atendidos.
“Queremos fortalecer ainda mais nossa presença no mercado externo, atender novos países e ampliar os embarques para as 35 nações que já abastecemos”, afirma Brochmann.
A estratégia inclui ações junto à rede de frigoríficos credenciados, promoção da carne angus no Brasil e participação em feiras internacionais, reforçando o posicionamento do produto brasileiro no mercado premium global.
O cenário confirma que a carne angus segue como um dos principais vetores de valorização da genética, da produção e da renda do pecuarista brasileiro, conectando o campo às exigências do mercado internacional.



