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BALANÇA COMERCIAL DO AGRO

Exportações do agro em janeiro somam US$ 10,8 bilhões e carne bovina lidera embarques

Superávit chega a US$ 9,2 bilhões no primeiro mês do ano, com proteínas animais em destaque e China na liderança das compras

Por Cássia Carolina
12 de fevereiro de 2026 às 18h19
Exportações do agro em janeiro somam US$ 10,8 bilhões e carne bovina lidera embarques

FOTO: Reprodução l Mapa

As exportações do agro em janeiro de 2026 somaram US$ 10,8 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12/2) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O resultado representa o terceiro maior valor da série histórica para o mês e garantiu superávit de US$ 9,2 bilhões no período.

Para o pecuarista, o dado mais relevante está no desempenho das proteínas animais — especialmente da carne bovina — que novamente puxaram o crescimento do setor.

Exportações do agro em janeiro: volume cresce, preço recua

Apesar da leve queda de 2,2% no valor total em relação a janeiro de 2025, o volume embarcado cresceu 7%. O recuo foi influenciado pela queda de 8,6% no preço médio internacional das commodities.

O agro respondeu por 42,8% de tudo o que o Brasil exportou no mês, reforçando o peso do setor na economia nacional.

As importações do agronegócio somaram US$ 1,7 bilhão (-11,2%), garantindo saldo positivo robusto na balança comercial.

Carne bovina é o principal destaque para o pecuarista

O setor de carnes foi o maior exportador em janeiro:

  • US$ 2,58 bilhões

  • 24% do total exportado pelo agro

  • Crescimento de 24% em relação a janeiro de 2025

A carne bovina in natura foi o produto de maior valor exportado no mês:

  • US$ 1,3 bilhão

  • 231,8 mil toneladas embarcadas

  • Destino para 116 países

Um dado importante para o produtor: as compras dos Estados Unidos cresceram 93% no período.

Esse cenário reforça a importância da sanidade e da abertura de mercados para a manutenção da demanda internacional.

China segue como principal destino

O ranking dos principais compradores permanece inalterado:

  1. China – US$ 2,1 bilhões (20% das exportações totais)

  2. União Europeia – US$ 1,7 bilhão (11%)

  3. Estados Unidos – US$ 705 milhões (6,6%)

Além disso, países da ASEAN ampliaram as compras em 5,7%, mostrando avanço do Brasil no Sudeste Asiático.

Entre os mercados que mais expandiram aquisições estão:

  • Emirados Árabes Unidos (+58,5%)

  • Turquia (+72,1%)

  • Filipinas (+90%)

  • Iêmen (+336,9%)

  • Chile (+29,1%)

  • Japão (+19,8%)

Para o pecuarista, essa diversificação reduz dependência de poucos compradores e amplia oportunidades comerciais.

Outros setores que impulsionaram as exportações

Além das carnes, destacaram-se:

  • Complexo soja – US$ 1,66 bilhão (+49,4%)

  • Produtos florestais – US$ 1,38 bilhão

  • Cereais e preparações – US$ 1,12 bilhão (+11,3%)

  • Café – US$ 1,10 bilhão

  • Complexo sucroalcooleiro – US$ 750 milhões

Sanidade e abertura de mercados fortalecem exportações

De acordo com o ministro Carlos Fávaro, os avanços sanitários e as negociações comerciais foram determinantes para o desempenho do agro.

O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal como livre de febre aftosa sem vacinação, recuperou rapidamente o status sanitário após foco isolado de influenza aviária e avançou em tratativas comerciais que resultaram na retirada de tarifas adicionais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, incluindo a carne bovina in natura.

Segundo o secretário Luís Rua, desde 2023 foram abertos 535 novos mercados para o agro brasileiro, sendo 10 apenas em janeiro de 2026.

O que isso significa para o produtor?

Mesmo com recuo nos preços médios internacionais, o crescimento no volume embarcado indica demanda firme pelos produtos brasileiros.

Para o pecuarista, o cenário reforça três pontos estratégicos:

  • A importância da sanidade como ativo comercial

  • A necessidade de acompanhar novos mercados

  • O impacto direto das exportações na sustentação dos preços internos

As exportações do agro em janeiro mostram que, mesmo em um ambiente de ajustes de preço, o Brasil segue consolidado como fornecedor global, e a carne bovina continua no centro dessa engrenagem.