PRODUTIVIDADE E SUSTENTABILIDADE

ILP com leguminosas aumenta ganho de peso de bovinos e reduz emissão de metano, aponta Embrapa

Estudo da Embrapa mostra que consórcio de gramíneas com leguminosas eleva a produtividade da pecuária e reduz impactos ambientais

Por Cássia Carolina

Sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) que utilizam o consórcio entre gramíneas forrageiras e leguminosas têm se mostrado uma estratégia eficiente para aumentar o ganho de peso de bovinos, reduzir a emissão de metano entérico e elevar o estoque de carbono no solo. A conclusão é de um estudo conduzido pela Embrapa Cerrados, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), com dados divulgados em 23 de dezembro de 2025.

ILP com leguminosas aumenta ganho de peso de bovinos e reduz emissão de metano, aponta Embrapa

FOTO: Divulgação l Thaís Rodrigues de Sousa

A pesquisa avaliou diferentes níveis de intensificação da pecuária a pasto e confirmou que sistemas mais tecnificados entregam melhores resultados zootécnicos e ambientais, atendendo às demandas atuais do produtor rural por eficiência produtiva e sustentabilidade.

Mais desempenho animal em sistemas intensificados

Durante o estudo, foram avaliados bovinos Nelore submetidos a três sistemas de produção. Na pastagem contínua solteira de capim BRS Piatã, o ganho médio diário foi de 0,44 kg por animal. Já no consórcio do mesmo capim com a leguminosa feijão-guandu anão, o ganho subiu para 0,69 kg/dia.

Menor emissão de metano por quilo de carne produzida

Além do desempenho animal, o estudo analisou a intensidade de emissão de metano entérico, indicador que relaciona a quantidade de metano emitida ao ganho de peso vivo por hectare.

Consórcio reduz impacto ambiental da pecuária

A pastagem solteira apresentou emissão de 450 g de CH₄ por kg de ganho de peso vivo/ha. No sistema consorciado com leguminosa, esse valor caiu para 269 g, enquanto o sistema ILP com capim Zuri registrou apenas 224 g de CH₄ por kg de ganho de peso vivo/ha.

Segundo a Embrapa, isso comprova que é possível intensificar a produção pecuária, gerar mais arrobas por hectare e, ao mesmo tempo, reduzir os gases de efeito estufa associados à atividade.

Mais carbono no solo e sistemas mais resilientes

O estoque de carbono no solo também foi superior nos sistemas integrados. Na camada de 0 a 30 centímetros, o consórcio de capim BRS Piatã com guandu-anão alcançou 83,17 toneladas de carbono por hectare, contra 62,20 t/ha da pastagem solteira, um incremento superior a 20 t/ha.

A presença da leguminosa melhora a qualidade do solo, aumenta a disponibilidade de nitrogênio em formas orgânicas e favorece o desenvolvimento das gramíneas, refletindo diretamente no desempenho dos animais.

Tecnologia estratégica para o futuro da pecuária

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Arminda de Carvalho, reduzir emissões sem comprometer o desempenho animal é um dos grandes desafios da agropecuária brasileira. “Sistemas integrados, consorciados ou intensivos têm se mostrado alternativas viáveis para a descarbonização da pecuária”, afirma.

Os dados foram obtidos no experimento de ILP mais antigo do Brasil, implantado em 1991 na Embrapa Cerrados. Avaliações realizadas em 2024 já haviam demonstrado, inclusive, redução de até 59% nas emissões de óxido nitroso (N₂O) em sistemas integrados.

Para o pecuarista, os resultados reforçam que investir em ILP e no consórcio de gramíneas com leguminosas é uma decisão técnica capaz de elevar o ganho de peso de bovinos, melhorar o solo e tornar o sistema produtivo mais eficiente, resiliente e alinhado às exigências do mercado.

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