CICLO PECUÁRIO

Menor oferta de gado em 2026 pode sustentar preços e mudar a estratégia do pecuarista

Virada do ciclo pecuário indica redução na disponibilidade de animais em um cenário de demanda ainda firme

Por Cássia Carolina

O mercado pecuário entra em 2026 com um sinal claro de mudança estrutural: após um período marcado por volumes elevados de abate, a oferta de gado tende a ficar mais ajustada ao longo do ano. Esse movimento ocorre justamente em um ambiente de demanda interna e externa consistente, combinação que pode sustentar os preços e exigir uma mudança de estratégia por parte do pecuarista.

Menor oferta de gado em 2026 pode sustentar preços e mudar a estratégia do pecuarista

FOTO: Reprodução l De Heus

A avaliação é de Larissa Barboza Alvarez, analista de Mercado da StoneX, com base nas tendências apontadas no relatório Perspectivas para Commodities 2026. Segundo a analista, o principal fator por trás dessa possível redução de oferta está ligado ao comportamento do ciclo pecuário nos últimos meses.

Recorde de abates em 2025 pressiona a reposição

Em 2025, o Brasil registrou níveis historicamente elevados de abate, impulsionados sobretudo pelo descarte intenso de fêmeas. Embora esse movimento seja comum em períodos de margens favoráveis, ele possui um limite natural, já que as matrizes são fundamentais para a reposição do rebanho.

“Como o ciclo pecuário tem duração média entre 18 e 30 meses, qualquer ajuste iniciado agora gera impactos prolongados sobre a oferta”, explica Larissa.

Menos animais disponíveis e mudança de lógica no mercado

Caso essa virada se confirme ao longo de 2026, o mercado tende a conviver com menor disponibilidade de gado, especialmente para abate. Na prática, isso muda a lógica predominante dos últimos anos, baseada em volume, e reforça um ambiente em que cada animal passa a ter maior valor estratégico dentro da cadeia produtiva.

Para o pecuarista, esse cenário amplia a importância das decisões de manejo, retenção, terminação e momento de venda. Em um mercado mais ajustado, a eficiência produtiva e o planejamento ganham ainda mais peso na formação das margens.

Demanda firme reforça sustentação dos preços

Do lado da demanda, o cenário segue favorável. No mercado interno, o crescimento econômico e os níveis baixos de desemprego sustentam o consumo de carne bovina, proteína que ocupa posição central na dieta do brasileiro. Apesar de fatores como inadimplência e maior cautela do consumidor entrarem no radar, a demanda doméstica permanece consistente.

No mercado internacional, a dependência global do Brasil segue evidente. A China continua como principal âncora da demanda, com necessidade de importação superior à capacidade total de exportação brasileira. Outros mercados relevantes, como Japão, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos, Chile e Estados Unidos, mantêm compras estáveis.

Em 2025, essa resiliência ficou clara quando a redução das importações norte-americanas foi rapidamente compensada pelo aumento das compras chinesas, reforçando o papel do Brasil como fornecedor estratégico e confiável.

Estratégia ganha protagonismo dentro da porteira

Com demanda firme e risco de oferta mais curta, o mercado de 2026 tende a ser marcado por preços mais sustentados e maior sensibilidade à gestão. Nesse contexto, a estratégia do pecuarista passa a ser determinante para capturar oportunidades, seja por meio da retenção de animais, da melhora do desempenho produtivo ou da leitura mais precisa do momento de venda.

“O Brasil chega a 2026 com protagonismo no comércio internacional e com o desafio de equilibrar consumo consistente e possível redução da oferta. O comportamento dessas forças será decisivo para a dinâmica de preços e margens ao longo do próximo ciclo”, conclui a analista.

Para o produtor, o recado é direto: em um cenário de menor oferta, o mercado deixa de premiar apenas volume e passa a valorizar decisões estratégicas dentro da porteira.

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