SETOR DE LÁCTEOS
Mercado do leite: queda nas importações melhora balança de lácteos e reduz pressão ao produtor em 2025
Recuo de 6,1% nas importações em 2025 indica cenário mais favorável ao produtor e sinaliza ajuste no mercado do leite

FOTO: Reprodução l Food Connection
A balança comercial de lácteos encerrou 2025 com sinais de ajuste importantes para o mercado do leite, especialmente do ponto de vista do produtor rural. Após meses de forte entrada de produtos importados, o ano terminou com queda de 6,1% nas importações frente a 2024, movimento que contribuiu para aliviar a pressão sobre os preços pagos ao pecuarista.
De acordo com levantamento do MilkPoint, o saldo da balança comercial fechou dezembro em -155,4 milhões de litros em equivalente-leite, uma melhora de 10% em relação a novembro, quando o déficit era de -172,3 milhões de litros. O resultado foi impulsionado pela combinação de exportações em alta e importações em retração.
Importações recuam e aliviam o mercado interno
Em dezembro, o volume de lácteos importados totalizou 160,5 milhões de litros em equivalente-leite, queda de 9% frente ao mês anterior. Na comparação com dezembro de 2024, a retração foi ainda mais expressiva, chegando a 17%. No acumulado de 2025, o recuo de 6,1% confirma uma mudança relevante no fluxo de produtos estrangeiros no mercado brasileiro.
Entre os principais itens importados, o leite em pó integral (LPI) apresentou queda de 5% em dezembro, após forte retração no mês anterior. Já o leite em pó desnatado (LPD), segundo principal produto da pauta, registrou recuo de 22% no volume importado. Esses movimentos ajudam a reduzir a concorrência direta com o leite produzido no país, fator sensível para a rentabilidade do produtor.
Exportações avançam, mas ano fecha em queda
Do lado das exportações, dezembro registrou alta de 3%, com embarques somando 5,1 milhões de litros em equivalente-leite. Apesar da melhora mensal, o volume ficou 7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, as exportações de lácteos fecharam com queda de 23,4% em relação ao ano anterior.
Alguns produtos, no entanto, apresentaram desempenho positivo no último mês do ano. O leite UHT teve aumento expressivo no volume exportado, respondendo por 16% do total das vendas externas. O soro de leite cresceu 30%, enquanto o leite condensado avançou 16%. Em contrapartida, creme de leite e manteiga seguiram em trajetória de queda.
O que muda para o produtor em 2026
Segundo a análise do MilkPoint, o cenário de 2025 foi marcado por ampla oferta global de lácteos, dólar mais baixo e crescimento significativo da produção nacional, fatores que pressionaram os preços da indústria e os valores pagos ao produtor, especialmente no segundo semestre.
Para 2026, a expectativa é de um ambiente mais equilibrado no mercado do leite. Apesar de a produção seguir em níveis elevados, a queda na rentabilidade observada no fim de 2025 tende a desacelerar o crescimento da oferta. Ao mesmo tempo, preços internacionais mais firmes podem reduzir a atratividade das importações.
Com isso, a tendência apontada é de redução gradual da entrada de lácteos no Brasil, o que pode resultar em menor pressão sobre os preços internos ao longo de 2026. Para o pecuarista, o movimento traz um sinal importante: depois de um ano de ajustes, o mercado começa a caminhar para um cenário de maior previsibilidade e equilíbrio entre oferta e demanda.



