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MANEJO E PREVENÇÃO

Morte de 48 vacas no RS acende alerta ao pecuarista sobre risco de intoxicação no pasto

Caso em propriedade leiteira do norte do Rio Grande do Sul levanta suspeita de intoxicação por nitrito e reforça cuidados no manejo da pastagem

Por Cássia Carolina
19 de janeiro de 2026 às 12h40
Morte de 48 vacas no RS acende alerta ao pecuarista sobre risco de intoxicação no pasto

FOTO: Reprodução l Agro Online

A morte de 48 vacas leiteiras em uma propriedade rural de Novo Xingu, no norte do Rio Grande do Sul, está sendo investigada por órgãos oficiais e acendeu um alerta importante para o pecuarista quanto aos riscos de intoxicação alimentar no rebanho. O caso, divulgado inicialmente pelo Globo Rural, gerou um prejuízo estimado em R$ 600 mil à família produtora.

As mortes ocorreram ao longo de apenas três dias e atingiram exclusivamente vacas em lactação. A principal suspeita é de intoxicação por excesso de nitrito, composto que pode se formar no pasto em determinadas condições climáticas e de manejo.

Investigação em andamento

A Inspetoria Veterinária de Constantina, responsável pela região, realizou a coleta de vísceras dos animais, além de amostras de água, ração, silagem e pastagem presentes na propriedade. Os materiais seguem em análise laboratorial, e ainda não há prazo para a conclusão dos exames.

Especialistas que acompanham o caso trabalham com a hipótese de intoxicação alimentar, ligada ao consumo de pastagem com alto teor de nitrato, que no rúmen dos bovinos pode ser convertido em nitrito.

Como ocorre a intoxicação por nitrito

De acordo com a zootecnista Maíza Scheleski da Rosa, superintendente técnica substituta da Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), a planta pode se tornar tóxica quando seu desenvolvimento é afetado por fatores ambientais.

Situações como seca seguida de chuva, longos períodos de dias nublados ou chuvosos após adubação nitrogenada, ou ainda excesso de nitrogênio no solo, favorecem o acúmulo de nitrato nas folhas do pasto.

Quando ingerido pelo animal, o nitrato é convertido em nitrito no rúmen. O problema ocorre quando essa conversão acontece de forma muito rápida. O nitrito entra na corrente sanguínea e impede o transporte de oxigênio, levando o animal à morte mesmo com respiração aparentemente normal.

O que aconteceu na propriedade

O caso teve início na madrugada do dia 2 de janeiro, quando o produtor encontrou quatro vacas mortas antes da ordenha. Ao longo do dia, outros animais passaram a apresentar sintomas como salivação intensa, falta de ar, prostração e incapacidade de se levantar.

Até o fim da tarde, 15 vacas haviam morrido. No dia seguinte, mais 16 animais foram encontrados sem vida e, até o domingo, todas as 48 vacas em lactação da propriedade morreram.

Animais que não estavam no mesmo piquete, como novilhas e vacas secas, não foram afetados, o que reforça a suspeita de intoxicação relacionada ao pasto específico utilizado pelas vacas em produção.

Além do impacto financeiro, a produção diária variava entre 1.200 e 1.400 litros de leite, gerando renda mensal de até R$ 100 mil, a família relata forte abalo emocional, já que os animais eram acompanhados individualmente.

Como prevenir a intoxicação no rebanho

A prevenção da intoxicação por nitrito no rebanho começa com o manejo correto da pastagem, especialmente em áreas que recebem adubação nitrogenada. É fundamental respeitar o intervalo recomendado entre a aplicação do fertilizante e a liberação dos animais para o pastejo, evitando o consumo de plantas ainda em fase de maior acúmulo de nitrato. 

Também é indicado evitar adubações em períodos prolongados de tempo nublado ou chuvoso, pois essas condições podem comprometer o metabolismo das plantas e favorecer a concentração de compostos tóxicos nas folhas.

Outro ponto de atenção é o retorno do pastejo após períodos de seca seguidos por chuvas, situação considerada crítica para o risco de intoxicação. Nesses casos, o produtor deve redobrar o monitoramento da área e, sempre que possível, promover a adaptação gradual dos animais ao pasto recém-recuperado. 

A oferta de suplementação alimentar também é uma estratégia importante, pois reduz o consumo excessivo da pastagem potencialmente contaminada. A combinação dessas medidas contribui para diminuir o risco de intoxicações e preservar a sanidade e o desempenho produtivo do rebanho leiteiro.