GESTÃO DE PASTAGENS

Pasto é dinheiro: estratégia coloca a arroba de baixo custo no centro da pecuária em 2026

Gestão do capim, reposição estratégica e uso inteligente do confinamento viram a chave da rentabilidade no novo ciclo pecuário

Por Cássia Carolina

A produção de arroba de baixo custo voltou ao centro das decisões do pecuarista em 2026. Após um fim de 2025 marcado por alertas sobre o ciclo pecuário, o início deste ano confirma um cenário claro: quem antecipou decisões e ajustou o manejo do pasto saiu na frente. Mais do que uma variável operacional, o capim passou a ser o principal diferencial financeiro da fazenda.

Pasto é dinheiro estratégia coloca a arroba de baixo custo no centro da pecuária em 2026

FOTO: Divulgação

Segundo análise da MFG Agropecuária, a janela estratégica aberta no fim do ano passado se consolidou nas primeiras semanas de 2026. O recado é direto: o lucro da safra não será definido por movimentos bruscos de preço, mas pela eficiência dentro da porteira.

“Neste ano, o lucro da pecuária não será decidido no grito, mas no manejo. Quem esperar apenas uma explosão de preços pode perder a maior oportunidade da safra: produzir arrobas de baixíssimo custo dentro da própria fazenda”, afirma Vanderlei Finger, gerente corporativo de Originação.

Gestão do estoque vivo define a arroba de baixo custo

A lógica é simples. Animais que já cumpriram seu papel no pasto devem sair do sistema, abrindo espaço para categorias mais jovens, com maior conversão alimentar durante as águas. Esse ajuste reduz o custo médio de produção e melhora o aproveitamento do insumo mais barato da fazenda: o capim.

Boi pronto é fruta madura: hora certa de colher

Na prática da pecuária, boi pronto é como fruta madura. Passou do ponto, começa a custar caro. Animais que atingiram o peso ideal devem seguir para o frigorífico. Já os bois erados e intermediários, que apresentam eficiência decrescente no pasto, encontram na terminação intensiva uma alternativa estratégica.

Ao enviar esses animais para confinamento, o produtor limpa as pastagens e cria espaço para a recria. No cocho, o gado mais pesado recebe dieta adequada para terminação rápida, enquanto no pasto entram os bezerros, verdadeiros motores da produção de arroba de baixo custo nas águas.

Poupança de capim garante segurança no inverno

A estratégia vai além do ganho imediato. Ajustar a pressão de pastejo agora permite manejar melhor a altura do capim e viabilizar a vedação das pastagens, formando uma verdadeira “poupança forrageira” para o período seco.

Esse planejamento reduz riscos, evita vendas forçadas no inverno e protege a rentabilidade diante de oscilações climáticas ou de mercado. Mesmo com a valorização recente da reposição, o bezerro aproveita o vigor das águas com maior eficiência metabólica, diluindo custos e baixando o valor final da arroba produzida.

O planejamento reduz riscos, evita vendas forçadas no inverno e protege a rentabilidade diante de oscilações climáticas ou de mercado. FOTO: Divulgação

Mais controle financeiro e fazenda mais resiliente

Ao colher o boi pronto, direcionar o gado intermediário para terminação intensiva e concentrar o pasto na recria, o pecuarista transforma o sistema em uma ferramenta de gestão financeira e de risco. O resultado é maior previsibilidade, pastagens mais vigorosas e uma fazenda preparada para atravessar qualquer cenário. “Em 2026, vai sair na frente quem souber ler o tempo do pasto e do animal”, resume Vanderlei Finger.

A produção da arroba de baixo custo passa, cada vez mais, por decisões técnicas, antecipação e manejo inteligente, e não pela espera de movimentos externos de mercado.

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