INOVAÇÃO NA PECUÁRIA LEITEIRA
Pecuária leiteira ganha eficiência com filtragem automática que elimina descartáveis
Tecnologia integrada à ordenha reduz intervenções, elimina resíduos e melhora a rotina nas fazendas leiteiras

FOTO: Divulgação
A pecuária leiteira vem passando por uma transformação silenciosa dentro das fazendas, impulsionada pela busca por mais eficiência, redução de custos operacionais e sustentabilidade. Uma das mudanças recentes está na forma de filtrar o leite durante a ordenha, com a chegada de sistemas automáticos que eliminam o uso de materiais descartáveis.
A tecnologia já começa a ganhar espaço entre produtores e integra soluções de ordenha robotizada, como o modelo Astronaut A5 Next, da Lely, multinacional especializada em automação para a pecuária leiteira.
Filtragem automática muda a rotina na ordenha
O novo sistema substitui os filtros descartáveis por uma estrutura em aço inox com microperfurações, capaz de reter impurezas sem interromper o fluxo do leite. A principal diferença está na automação do processo.
Segundo o engenheiro de automação e gerente de suporte Latam da Lely, João Lucas Moisés, a filtragem deixa de ser uma tarefa manual e passa a ocorrer de forma integrada ao funcionamento do robô.
“A filtragem deixa de ser uma etapa que exige intervenção constante e passa a ocorrer de forma integrada ao funcionamento do robô. O sistema identifica quando há necessidade de limpeza e faz isso automaticamente”, explica.
Com isso, a ordenha segue de forma contínua, sem pausas para troca de filtros, reduzindo interferências na rotina da fazenda.

FOTO: Divulgação
Menos resíduos e mais eficiência na pecuária leiteira
Além do ganho operacional, a tecnologia também impacta diretamente a sustentabilidade da pecuária leiteira. Em sistemas tradicionais, o uso de filtros descartáveis pode ultrapassar mil unidades por ano em uma única propriedade.
Com a filtragem automática, esse material deixa de ser utilizado, eliminando a necessidade de reposição constante e reduzindo a geração de resíduos.
Produtor já sente impacto na produtividade
Na prática, os resultados começam a aparecer. O produtor Erwin Erkel, de Carambeí (PR), que trabalha com cerca de 200 vacas em lactação, adotou a ordenha robotizada no fim de 2025 e já percebe mudanças na operação.
Segundo ele, o principal ganho inicial foi a continuidade do processo. “Antes, era preciso interromper o processo para fazer a troca dos filtros. Agora, a ordenha segue de forma contínua, inclusive durante os ciclos de limpeza. Isso deixa a rotina mais estável”, afirma.
Mesmo em fase de transição, os números já mostram evolução. A média de produção saltou de 32 litros por vaca para cerca de 37 a 38 litros no sistema automatizado.
Além disso, a manutenção também se tornou mais simples. “A limpeza ocorre automaticamente e fazemos basicamente uma verificação periódica. O processo ficou muito mais tranquilo no dia a dia”, destaca o produtor.
Automação avança na pecuária leiteira
A adoção de tecnologias automatizadas tem crescido na pecuária leiteira, impulsionada principalmente pela dificuldade de mão de obra e pela necessidade de maior controle sobre a produção.
Para Moisés, a automatização de etapas como a filtragem faz parte de um movimento maior dentro das propriedades. “São ajustes que parecem pequenos, mas que, no conjunto, ajudam a tornar o sistema mais eficiente e previsível para o produtor”, afirma.
A tendência é que soluções como essa avancem nos próximos anos, acompanhando a busca do produtor por mais produtividade, menos intervenção manual e maior controle da operação dentro da fazenda.



