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PECUÁRIA LEITEIRA

Preço do leite sobe 5% em fevereiro e sinaliza reação ao produtor

Alta é impulsionada por menor oferta e maior disputa entre laticínios pela matéria-prima

Por Cássia Carolina
31 de março de 2026 às 19h37
Preço do leite sobe 5% em fevereiro e sinaliza reação ao produtor

FOTO: Ilustrativa l Freepik

O preço do leite voltou a reagir no campo e registrou a segunda alta consecutiva em fevereiro de 2026. Segundo levantamento do Cepea (Esalq/USP), a Média Brasil avançou 5,43% em relação a janeiro, fechando em R$ 2,1464 por litro pago ao produtor.

Apesar da recuperação recente, o cenário ainda exige cautela. Na comparação com fevereiro de 2025, o valor está 25,45% abaixo em termos reais, o que indica que o setor ainda trabalha para recompor as margens.

Menor oferta sustenta o preço do leite

A alta do preço do leite foi puxada principalmente pela redução na oferta, o que aumentou a competição entre laticínios pela compra de matéria-prima.

O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) recuou 3,6% de janeiro para fevereiro, refletindo a queda na produção em estados relevantes como Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Goiás. Esse movimento já está diretamente ligado à entressafra, somado aos efeitos de um 2025 marcado por margens pressionadas, que limitaram investimentos dentro das propriedades.

Custos seguem no radar do produtor

Mesmo com a melhora no preço do leite, os custos continuam no radar do pecuarista. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,32% em fevereiro, e o cenário segue atento, especialmente com a recente valorização de insumos como milho e soja ao longo de março.

Esse contexto reforça a necessidade de gestão eficiente, já que a recuperação dos preços ainda ocorre de forma gradual.

Demanda reage e fortalece o mercado

Do lado da demanda, o mercado começa a dar sinais mais consistentes de reação. A segunda quinzena de março trouxe maior fluidez no consumo, após um fevereiro mais fraco.

No mercado spot, o leite atingiu R$ 3,172 por litro na Média Brasil, com valorização generalizada entre os estados, o que indica aumento na disputa pela matéria-prima.

Indústria acompanha a alta do preço do leite

A valorização também já aparece com mais força na indústria. O leite UHT chegou a R$ 4,68 por litro em São Paulo, enquanto a muçarela atingiu R$ 31,6 por quilo, sustentada pela menor disponibilidade de leite e pela demanda aquecida.

O leite em pó também começa a apresentar sinais de reação, acompanhando a melhora no escoamento dos produtos lácteos.

Cenário internacional e expectativa para os próximos meses

No cenário internacional, os preços seguem relativamente estáveis nos leilões da Global Dairy Trade (GDT), após uma sequência de altas, ainda sustentados por uma oferta global mais ajustada, especialmente com a desaceleração da produção na Oceania.

Com a combinação de oferta mais restrita, demanda em recuperação e valorização ao longo da cadeia, o preço do leite consolida um movimento mais consistente de virada neste início de ano.

A expectativa é de continuidade desse ajuste nos próximos meses, com tendência de valorização gradual ao produtor, à medida que oferta e demanda buscam um novo ponto de equilíbrio.