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MERCADO INTERNACIONAL

Rastreabilidade bovina ganha força e pode se tornar exigência para exportação de carne

Febrac alerta que controle individual do rebanho já influencia acesso a mercados e deve avançar no Brasil

Por Cássia Carolina
24 de março de 2026 às 12h05
Rastreabilidade bovina ganha força e pode se tornar exigência para exportação de carne

FOTO: Divulgação

A rastreabilidade bovina está deixando de ser um diferencial para se tornar uma exigência cada vez mais presente no mercado internacional da carne. O alerta é da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), que acompanha iniciativas para ampliar esse controle nos rebanhos brasileiros.

Segundo a entidade, compradores internacionais já começam a exigir maior transparência na origem dos animais e nas práticas adotadas ao longo da cadeia produtiva. Esse movimento tende a se intensificar, impactando diretamente o acesso do pecuarista aos mercados mais valorizados.

Rastreabilidade bovina entra no radar do mercado externo

De acordo com o vice-presidente técnico da Febrac, José Arthur Martins, a rastreabilidade bovina já é vista com bons olhos por países importadores de carne brasileira.

Ele destaca que projetos em andamento no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, têm chamado a atenção do mercado internacional. A iniciativa é conduzida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), com apoio da própria Febrac.

“Eles estão vendo com muito bons olhos todo esse projeto que está sendo desenvolvido aqui pelo Estado”, afirma.

O que é e por que a rastreabilidade bovina importa

A rastreabilidade bovina permite acompanhar todo o histórico do animal, desde o nascimento até o abate. O sistema inclui identificação individual e registro de informações como:

  • origem do animal
  • vacinação
  • alimentação
  • movimentações dentro da propriedade

Esse nível de controle fortalece a segurança sanitária e aumenta a confiança dos compradores, além de garantir maior transparência na produção de carne.

Exigência sanitária e resposta a crises

Outro ponto destacado pela Febrac é que a rastreabilidade bovina facilita a atuação em situações de risco sanitário. Em casos de surtos, por exemplo, o sistema permite respostas mais rápidas e precisas, reduzindo impactos na produção e nas exportações.

Além disso, o controle está diretamente ligado à biosseguridade e à garantia da qualidade da proteína animal que chega ao consumidor final.

Desafios para o pecuarista

Apesar dos avanços, a adoção da rastreabilidade bovina ainda enfrenta obstáculos no campo. Pequenos e médios produtores apontam como principais desafios:

  • custo de implementação
  • necessidade de adaptação tecnológica
  • mudanças na gestão da propriedade

Mesmo assim, a tendência é de avanço. Para a Febrac, o tema já não pode mais ser tratado como secundário dentro da atividade.

“A rastreabilidade está diretamente relacionada hoje não só com a biosseguridade, mas também com a garantia da segurança alimentar”, reforça Martins.

Projeto piloto avança no Rio Grande do Sul

A entidade acompanha de perto um projeto piloto desenvolvido pela Secretaria da Agricultura no Rio Grande do Sul, que busca ampliar a rastreabilidade bovina em rebanhos do Estado.

A expectativa é que iniciativas como essa sirvam de base para uma ampliação nacional do sistema, preparando o Brasil para atender às exigências do mercado global.