GENÉTICA E MERCADO

Reprodução de cavalos ganha força com nova central equina do Brasil em SP

Unidade instalada no interior paulista replica modelo industrial da genética bovina e mira posicionar o país como referência internacional no setor

Por Cássia Carolina

A reprodução de cavalos começa a ganhar escala e organização industrial no Brasil, movimento que lembra a transformação vivida pela genética bovina nas últimas décadas. A nova central equina do País, inaugurada no interior de São Paulo, marca a entrada da Seleon Biotecnologia no segmento de genética equina.

Reprodução de cavalos ganha força com nova central equina do Brasil em SP

FOTO: Reprodução l Agro Estadão

Com investimento estimado em R$ 10 milhões, a unidade é dedicada exclusivamente à produção e industrialização de sêmen de garanhões de alto valor genético. As informações foram divulgadas pelo Agro Estadão, que detalhou a estratégia por trás da operação.

A proposta é clara: aplicar à reprodução de cavalos o mesmo modelo que ajudou a profissionalizar e expandir o mercado de genética bovina no Brasil.

Da genética bovina à reprodução de cavalos

Segundo Bruno Grubisich, fundador da companhia, o mercado equestre brasileiro ocupa a quarta posição mundial em número de animais e movimentação econômica, mas ainda apresenta lacunas em tecnologia, escala e padronização, cenário semelhante ao observado no bovino anos atrás.

A diferença está na lógica econômica:

Uma única dose fertilizante pode exigir múltiplas palhetas de sêmen, com preços que superam em várias vezes os praticados na pecuária. Além disso, os garanhões são ativos de alto valor, exigindo manejo individualizado, protocolos sanitários rigorosos e estrutura especializada.

A nova central foi instalada em Itatinga (SP), próxima a Avaré, reconhecido polo equestre nacional. A escolha levou em consideração fatores climáticos e logísticos.

Com altitude próxima de mil metros e clima mais ameno e seco, a região permite coleta ao longo dos 12 meses do ano, reduzindo estresse térmico e favorecendo a qualidade espermática, benefício já observado na reprodução bovina.

A estrutura inclui:

A capacidade inicial é de cerca de 30 reprodutores.

Tecnologia e rastreabilidade elevam padrão da reprodução de cavalos

A central aposta em equipamentos de alto padrão, como sistemas de análise computadorizada de sêmen (CASA), microscopia avançada e protocolos personalizados de congelação.

Cada etapa — da coleta ao armazenamento e expedição — é registrada digitalmente, garantindo rastreabilidade, controle sanitário e previsibilidade de resultados. O portfólio inclui sêmen fresco, semi-conservado e congelado, além de suporte a programas avançados de reprodução.

Brasil pode repetir no cavalo o que fez no bovino

Assim como ocorreu na genética bovina, quando o Brasil deixou de ser apenas importador e passou a produzir e exportar sêmen localmente, a expectativa é que o País avance como hub internacional na reprodução de cavalos.

Hoje, o território nacional já abriga taurinos de origem norte-americana e europeia produzindo material genético para abastecimento interno e exportação. A estratégia pode se repetir no mercado equino.

Para o pecuarista, o movimento sinaliza uma tendência clara: o modelo de industrialização da genética, que transformou a pecuária, começa a se consolidar também no universo equestre, ampliando oportunidades dentro do próprio agro.

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