MERCADO DO BOI

Virada do ciclo pecuário já impacta o campo: retenção de fêmeas começa a apertar oferta

Dados divulgados pela Scot Consultoria indicam desaceleração no abate de fêmeas e início mais consistente de retenção no campo, sinalizando nova fase para o mercado do boi

Por Cássia Carolina

A virada do ciclo pecuário começa a ganhar contornos mais claros em 2026. Dados divulgados pela Scot Consultoria, nesta quinta-feira (26/2), apontam uma mudança estrutural importante: a desaceleração na participação de fêmeas nos abates e o início mais consistente de retenção no campo.

Virada do ciclo pecuário já impacta o campo retenção de fêmeas começa a apertar oferta

FOTO: Marcus Mesquita l Divulgação

Depois de um 2025 ainda marcado por elevado descarte de matrizes, os números deste começo de ano indicam que o pecuarista começa a mudar a estratégia, movimento que pode reduzir a oferta de animais terminados nos próximos anos.

Menos fêmeas no gancho, mais retenção na fazenda

A redução na participação de fêmeas nos abates é um dos primeiros sinais clássicos da virada de ciclo. Quando o produtor passa a reter matrizes, ele sinaliza expectativa de valorização futura e busca recompor ou expandir o rebanho.

Na prática, significa menos pressão de oferta estrutural nos próximos anos, fator que tende a sustentar o mercado.

Reflexo já aparece nos preços

O movimento estrutural começa a se refletir também na Bolsa. O contrato do boi gordo com vencimento em março de 2026 acumula alta de 10,68% no ano, negociado ao redor de R$ 350 por arroba na B3.

Para a consultoria, a arroba pode superar os R$ 360, máxima registrada em 2024, tanto no primeiro quanto no segundo semestre, caso o ambiente siga favorável.

Demanda ajuda a sustentar o cenário

Além do ajuste na oferta, o início de 2026 também foi marcado por aceleração da demanda.

No mercado externo, a carne bovina brasileira segue competitiva mesmo com valorização em reais. O cenário global aponta oferta mais restrita entre grandes players e preços internacionais em patamares elevados, favorecendo as exportações ao longo de 2026 e estruturalmente também em 2027.

Internamente, fatores macroeconômicos também contribuem. A combinação de isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil, taxa de desocupação em mínima histórica e rendimento médio das famílias em alta cria sustentação ao consumo, ainda que o endividamento permaneça elevado.

Até onde a arroba pode ir?

Apesar do cenário positivo, a Scot alerta que o limite da alta dependerá da margem da indústria frigorífica.

Em 2024, quando a arroba girou próxima de R$ 360, a margem no atacado de carne desossada ficou entre 4% e 5%, patamar considerado apertado. Posteriormente, o mercado perdeu sustentação e a arroba recuou para perto de R$ 290 na mínima registrada em julho de 2025.

Para 2026, a expectativa é de arroba firme e sustentada, mas o fôlego da alta dependerá da capacidade da indústria absorver novos reajustes.

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