INSUMOS DO AGRO
Família Batista amplia produção de potássio no Brasil e mira impacto direto no custo do produtor
Nova estratégia da Stratos fortalece produção nacional de fertilizantes e pode influenciar custos na pecuária e na agricultura

FOTO: Reprodução l AGFeed
A entrada da família Batista no setor de fertilizantes já começa a ganhar escala no Brasil. Conhecida globalmente pela atuação na proteína animal por meio da JBS, a família agora fortalece presença em um insumo estratégico para o agro: o potássio.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (11/2) pelo portal AGFeed, a Stratos, antiga VL Mineração, concluiu, em novembro de 2025, a compra da única mina de potássio em operação no país, localizada em Rosário do Catete (SE). O ativo pertencia à Mosaic e foi adquirido por aproximadamente US$ 27 milhões.
Para o pecuarista, o movimento vai além da mineração: trata-se de uma estratégia que pode mexer diretamente no custo de produção no campo.
Família Batista aposta na produção nacional de potássio
O Brasil importa hoje cerca de 96% do potássio que consome, um dos principais componentes dos fertilizantes utilizados na produção de grãos e pastagens.
Em 2025, a mina produziu 495 mil toneladas de cloreto de potássio. A meta para 2026 é alcançar 550 mil toneladas, crescimento de 11%.
Além do aumento da produção, novos estudos indicam que a vida útil da mina pode se estender por pelo menos mais 20 anos além de 2035, prazo inicialmente previsto pela antiga controladora. A descoberta de novos “bolsões” de minério reforça a viabilidade do ativo.
Para sustentar essa expansão, a empresa adquiriu quatro novos extratores que operam a cerca de 700 metros de profundidade.
O que muda para o pecuarista?
Embora o potássio esteja mais diretamente ligado à agricultura, seu impacto na pecuária é evidente.
Pastagens mais produtivas, recuperação de solo e maior eficiência na produção de volumoso dependem diretamente da adubação correta. Em um cenário de custos pressionados, ampliar a produção nacional pode reduzir riscos logísticos e oscilações cambiais.
A estratégia da família Batista também dialoga com o conceito de verticalização: além da proteína animal, agora o grupo avança sobre insumos estratégicos que sustentam a cadeia produtiva.
Estratégia regional e logística competitiva
A Stratos foca sua competitividade logística nas regiões Norte e Nordeste — especialmente Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — além de partes de Minas Gerais e Goiás.
Entre os clientes estão grandes misturadoras como Fertipar e a própria Mosaic, tradings globais como ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus, além de vendas diretas para grandes produtores.
A empresa também estuda a utilização de cabotagem para ampliar a distribuição via portos nacionais, o que pode melhorar eficiência logística e reduzir custos de transporte.
Um ecossistema integrado da família Batista
O investimento em fertilizantes não é isolado. A VL Holding, ligada à família Batista, também controla:
- Grupo Agroparanã, com cerca de 200 mil cabeças de gado
- 30 mil hectares de produção de grãos em Goiás e Piauí
Ou seja, trata-se de um movimento estratégico que conecta produção agrícola, pecuária e insumos.
O diretor comercial Ricardo Nascimento afirmou que a empresa está atenta a novas oportunidades e não descarta se tornar um player nacional completo no setor de fertilizantes.
Impacto econômico regional
A operação da mina em Sergipe emprega cerca de 600 funcionários diretos e 1.200 terceirizados, abrangendo cinco municípios e movimentando a economia local por meio de royalties e geração de renda.
Para o produtor rural, o movimento da família Batista representa mais do que uma diversificação empresarial. Ele sinaliza uma disputa estratégica por autonomia em insumos essenciais do agro brasileiro.
Em um país altamente dependente da importação de potássio, ampliar a produção interna pode significar mais previsibilidade, menor exposição cambial e maior segurança para quem está na ponta: o pecuarista.



