Ir para o conteúdo

Associação Brasileira de Angus e Ultrablack e Embrapa iniciam acompanhamento dos animais no RS

Neste ano, 36 touros estão no projeto realizado em parceria com a Embrapa, que visa a seleção de animais mais eficientes

Por Da Redação
02 de abril de 2025 às 09h00

Fotos: Felipe Rosa/Embrapa

A unidade da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), já está com os 36 touros que participarão da Prova de Eficiência Alimentar (PEA) promovida pela Associação Brasileira de Angus e Ultrablack em 2025. A 6ª edição do programa no formato atual, com a participação das duas entidades, iniciou nesta semana e se estenderá por 90 dias, quando serão conhecidos os campeões. Participam do processo 32 animais do Rio Grande do Sul e quatro de Santa Catarina.

Entre os principais benefícios buscados na prova, está a redução do custo de produção das propriedades. Menor consumo de ração, redução na produção de metano e diminuição na geração de dejetos são algumas das vantagens da seleção para o Consumo Alimentar Residual, umas das medidas de eficiência avaliadas durante a prova. Durante o estudo, ainda serão feitas medidas de ultrassonografia da carcaça e a coleta de material para genotipagem. No fim do processo, busca-se impulsionar o melhoramento genético e garantir sistemas ainda mais sustentáveis de produção de alimentos.

A engenheira agrônoma e assistente de Fomento da Associação, Carolina Silveira da Silva, projeta o sucesso de mais uma etapa do projeto. “Hoje, 70% dos custos na pecuária são com alimentação. O objetivo da prova é a seleção de animais mais eficientes, bem como a construção de uma população de referência, possibilitando futuramente a predição destas características via genômica. Estudos deste tipo buscam selecionar linhagens que tragam reduções nos custos de produção e, consequentemente, maior retorno ao criador. As provas de eficiência alimentar são uma ferramenta importante para tal objetivo”, aponta.

Para a Embrapa Pecuária Sul, que realiza o acompanhamento dos animais, o momento serve para valorizar as pesquisas de campo e manter o nível de confiabilidade dos dados. Álvaro Moraes da Fonseca Neto, médico veterinário e analista da instituição, projeta mais um ano de sucesso para o programa. “A nossa expectativa é muito grande para que os animais continuem confirmando aquilo que observamos nos outros anos, dentro das outras provas: um nível altíssimo e com grandes desempenhos. Isso também demonstra que a raça está no caminho certo”, aponta.

Dados individualizados de cada animal

A PEA tem como foco principal identificar os animais que melhor convertam o alimento consumido em desempenho produtivo. Comparar e identificar, dentro de um mesmo sistema de produção, reprodutores com menor consumo e crescimento mais acelerado. Para isso são usadas duas medidas principais de aferição de eficiência alimentar: o Consumo Alimentar Residual (CAR) e o Ganho de Peso Residual (GPR). Os indivíduos mais eficientes são aqueles com CAR negativo e GPR positivo. Para o cálculo do índice de classificação final (ICF) da prova leva-se em consideração 50% para cada característica.

Após a divulgação dos resultados, todos os dados da prova serão incorporados na população de referência para as características de eficiência alimentar, juntamente com os genótipos dos reprodutores participantes para, então, serem geradas as DEPSG (diferença esperada na progênie aprimorada pela genômica). Esta informação ficará à disposição de todos os criadores no sistema ORIGEN (no campo sumário online).

Em termos de sustentabilidade, além das características de eficiência alimentar, o processo também avalia a emissão de metano gerados pelos animais, buscando, ainda, a evolução na área. O presidente da Associação, José Paulo Cairoli, reforça o foco na rentabilidade do produtor, sem abrir mão da preocupação ambiental. “Animais mais eficientes e que reduzem os custos para o criador, produzindo de forma sustentável, sem abrir mão do cuidado e dando longevidade aos nossos sistemas de produção. São esses os objetivos dessa seleção”, define.