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PECUÁRIA LEITEIRA

Automação no cocho e na ordenha gera aumento da produção de leite em 7,4%, aponta estudo

Levantamento com 13,8 mil fazendas mostra que integrar automação na alimentação e na ordenha melhora desempenho, bem-estar e eficiência no campo

Por Cássia Carolina
30 de novembro de 2025 às 09h00
Automação no cocho e na ordenha gera aumento da produção de leite em 7,4%, aponta estudo

FOTO: Divulgação l Lely

Uma pesquisa global realizada pela Lely, com dados de 13.816 fazendas, comprovou aquilo que muitos produtores já observam no dia a dia: integrar automação no cocho e na ordenha é um dos caminhos mais eficientes para o aumento da produção de leite. O estudo revelou que propriedades que adotam tecnologias nas duas etapas registram, em média, 7,4% mais leite por vaca por dia em comparação às que automatizam apenas a ordenha.

O levantamento, conduzido entre janeiro de 2023 e maio de 2024, analisou indicadores como volume de produção, frequência de ordenha, visitas irregulares aos robôs e comportamento alimentar. Os resultados mostram que manter o alimento sempre acessível reduz jejum, estimula visitas voluntárias à ordenha e melhora a saúde geral do rebanho — fatores diretamente ligados ao ganho de produtividade.

Segundo Letícia Fernandes, especialista da equipe Farm Management Support da Lely América Latina, empresa que  desenvolve robôs e sistemas de dados para melhorar o bem-estar animal, a automação fortalece o básico do manejo. “Quando o básico é feito com precisão e constância, o resultado aparece em todos os níveis. A vaca se alimenta melhor, ordenha com mais frequência e o produtor ganha eficiência e previsibilidade”, afirma.

Resultados no campo: o exemplo do Rio Grande do Sul

No Brasil, experiências práticas reforçam a tendência. Em Sertão (RS), a Cabanha Stefini ampliou o desempenho ao adotar automação tanto no fornecimento de alimento quanto na ordenha. Com 60 vacas holandesas em lactação, a fazenda viu o rebanho alterar o comportamento natural:

“O empurrar automático da comida fez as vacas voltarem mais vezes ao cocho e comerem em pequenas porções durante o dia”, relata o produtor Diogo Stefini.

Só a automação do cocho resultou em aumento de 4 litros de leite por vaca/dia em menos de um mês. Depois da implantação completa da ordenha robotizada, o incremento total chegou a 20% na produção, além da redução da necessidade de mão de obra.

Ele destaca ainda a melhora no bem-estar. “As vacas ficaram mais calmas, livres para escolher quando comer e quando ordenhar. Isso reduziu o estresse e estabilizou o rebanho”, pontua o produtor.

Tendência global: automação, bem-estar e rentabilidade

Para Letícia, os dados reforçam que a automação deixou de ser apenas um diferencial e se tornou um pilar das fazendas leiteiras modernas. “Eliminar tarefas repetitivas e garantir constância transforma o sistema em um ambiente que trabalha 24 horas, com vacas mais ativas e saudáveis”, diz ela.

Ela ressalta que os números representam médias globais e variam conforme manejo e manutenção, mas refletem uma forte tendência internacional observada em 52 países onde a Lely atua.