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OVINOCULTURA

Confira o calendário: feiras de verão impulsionam investimento na ovinocultura gaúcha

Sequência de exposições no Sul acompanha a recuperação dos preços da lã e da carne ovina

Por Cássia Carolina
13 de janeiro de 2026 às 15h28
Confira o calendário feiras de verão impulsionam investimento na ovinocultura gaúcha

FOTO: Divulgação l Robispierre Giuliani

O ciclo de feiras de verão no Rio Grande do Sul começa em janeiro em um momento mais favorável para a ovinocultura. A recuperação nos preços da lã e a valorização da carne ovina criam um ambiente mais seguro para o produtor, estimulando decisões de investimento, especialmente em genética e qualificação dos rebanhos.

As exposições ocorrem em um período estratégico do calendário produtivo, quando muitos plantéis estão em fase de encarneiramento ou se preparando para esse momento. Com isso, as feiras se consolidam como uma oportunidade prática para o pecuarista alinhar mercado, genética e planejamento da produção.

Calendário de feiras de verão no Rio Grande do Sul

A programação reúne alguns dos principais eventos da ovinocultura gaúcha, concentrando genética avaliada, julgamentos técnicos e comercialização de animais:

  • 18ª Agrovino – 13 a 17 de janeiro, em Bagé (RS) 
  • 48ª Feira de Ovinos de Verão – 22 a 24 de janeiro, em Sant’Ana do Livramento (RS) 
  • 42ª Feovelha – 28 de janeiro a 2 de fevereiro, em Pinheiro Machado (RS) 
  • 48ª Expofeira de Ovinos de Verão – 4 a 8 de fevereiro, em Herval (RS) 
  • 52ª Exposição de Ovinos Meia Lã – 27 de fevereiro a 1º de março, em Jaguarão (RS) 

O calendário funciona como referência para o produtor que busca comparar padrões raciais, avaliar desempenho dos animais e planejar a reposição genética do rebanho.

Mercado mais firme reacende o interesse do produtor

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO), Edemundo Gressler, a ovinocultura vive uma retomada gradual, mas consistente, impulsionada principalmente pela melhora no mercado da lã.

“Estamos observando uma valorização mais clara, especialmente das lãs finas, que voltaram a apresentar uma remuneração mais interessante ao produtor. Ainda não é um cenário de euforia, mas representa um avanço importante”, avalia.

Na cadeia da carne ovina, o cenário também é considerado positivo. O preço do quilo do cordeiro tem girado em torno de R$ 14, patamar que traz maior previsibilidade econômica para a atividade. “A valorização da carne, somada à recuperação da lã, cria um ambiente mais atrativo para o produtor e fortalece a ovinocultura como uma atividade com boa remuneração dentro do agro”, observa Gressler.

Feiras conectam mercado e genética

Com o mercado reagindo, o investimento volta a ganhar espaço, principalmente na genética. Segundo o dirigente, esse movimento se reflete diretamente nas feiras de verão.

“Quando o mercado melhora, o produtor volta a investir. E o investimento passa, principalmente, pela aquisição de reprodutores e matrizes superiores, animais avaliados tecnicamente e que representam avanço genético real nos rebanhos”, explica.

As exposições concentram animais de alto padrão, voltados tanto à produção de lã quanto de carne. “O produtor leva para a feira o que tem de melhor. Para quem busca genética de qualidade, esse é um ambiente estratégico”, reforça.

Além da comercialização e dos julgamentos, as feiras de ovinocultura cumprem um papel institucional relevante. Envolvem campeonatos, avaliações técnicas, mostras e mobilizam sindicatos rurais e entidades organizadoras.

“Fazer uma feira exige estrutura, dedicação e planejamento. Não é simples, e esse esforço precisa ser reconhecido, porque fortalece toda a cadeia produtiva”, pontua Gressler.

Um chamado claro ao investimento

Com preços mais firmes e um calendário alinhado ao ciclo produtivo, as feiras de verão reforçam uma mensagem direta ao pecuarista. “Manter a qualidade das lãs, melhorar a precocidade dos cordeiros e acelerar o ganho de peso só é possível com genética. E é exatamente isso que esse ciclo de exposições oferece”, resume o presidente da ARCO.

Para quem atua ou pretende investir na ovinocultura, acompanhar o calendário de feiras de verão no Sul do país se consolida como um passo estratégico para decisões mais seguras dentro da porteira.