SANIDADE ANIMAL
O que mais preocupou o pecuarista em 2025: os desafios sanitários nos confinamentos
Doenças respiratórias lideraram as perdas no sistema intensivo, seguidas por acidentes, fraturas e falhas de manejo

FOTO: Scot Consultoria
Os desafios sanitários nos confinamentos estiveram entre os principais fatores de preocupação do pecuarista brasileiro ao longo de 2025. Levantamentos do Confina Brasil 2025, analisados pela Scot Consultoria, mostram que as perdas sanitárias seguiram impactando diretamente o desempenho zootécnico, a eficiência produtiva e a rentabilidade dos sistemas intensivos.
O cenário reforçou que, mais do que uma questão pontual, a sanidade animal se consolidou como um tema estratégico na gestão dos confinamentos, exigindo atenção constante ao manejo, à nutrição, à infraestrutura e aos protocolos preventivos.
Doenças respiratórias foram o principal desafio de 2025
Entre todos os problemas sanitários registrados, as doenças respiratórias bovinas se destacaram como o maior desafio enfrentado pelos confinadores em 2025. De acordo com o levantamento, 90,3% das propriedades relataram já ter sido impactadas por algum tipo de enfermidade respiratória, tornando esse grupo a principal causa de morbidade no sistema intensivo.
A elevada ocorrência está diretamente relacionada a características típicas do confinamento, como alta densidade animal, estresse de transporte, período de adaptação dos bovinos e variações climáticas. Como resposta a esse cenário, a adoção de medidas preventivas se intensificou ao longo do ano, com mais de 80% dos confinadores realizando a vacinação respiratória na entrada dos animais, considerada um dos principais pontos de proteção sanitária.
Mortalidade reforçou o peso das doenças respiratórias
Quando analisadas as causas de mortalidade, os dados de 2025 confirmaram a relevância das doenças respiratórias também nas perdas mais severas. Esse grupo foi responsável por 32,1% das mortes registradas nos confinamentos avaliados, consolidando-se como a principal causa de óbitos no sistema intensivo.
O resultado acendeu um alerta para o pecuarista quanto à importância do planejamento sanitário desde a chegada dos animais, com protocolos bem definidos de adaptação, vacinação e monitoramento.
Acidentes e fraturas também impactaram os resultados
Além das enfermidades, acidentes e fraturas figuraram como um dos grandes desafios sanitários nos confinamentos em 2025. Esse grupo apareceu como a segunda principal causa de mortalidade, representando 30,4% das citações.
O dado evidencia que fatores ligados ao manejo diário, à infraestrutura das instalações e à movimentação dos animais também tiveram peso significativo nas perdas, reforçando a necessidade de ambientes adequados e rotinas operacionais bem ajustadas.
Afecções de casco e distúrbios metabólicos exigiram atenção
As afecções de casco, como laminite e claudicação, também estiveram entre os problemas mais observados ao longo de 2025. Geralmente associadas a dietas de alta energia, pisos inadequados e falhas de manejo, essas ocorrências resultaram em queda de desempenho e prejuízos econômicos ao confinador.
Na mesma linha, os distúrbios metabólicos, incluindo acidose, timpanismo e laminite, funcionaram como indicadores de falhas no processo de adaptação e no manejo nutricional dos animais, especialmente nas fases iniciais do confinamento.
Doenças parasitárias e clostridioses completaram o cenário
Outros desafios sanitários relevantes em 2025 foram a tristeza parasitária bovina e as clostridioses, que juntas responderam por 16,4% das mortes nos confinamentos avaliados. Mesmo com a vacinação contra clostrídios sendo adotada por 87% das propriedades, ainda ocorreram perdas relacionadas a falhas no manejo vacinal, dietas que favorecem a enterotoxemia e infecções originadas a partir de lesões.
A tristeza parasitária bovina teve maior impacto em regiões com clima favorável ao carrapato e em rebanhos mais suscetíveis, com destaque para confinamentos localizados na região Sul do Brasil.
Lições de 2025 para o pecuarista
O balanço de 2025 mostra que enfrentar os desafios sanitários nos confinamentos exige uma abordagem integrada, que vai além da vacinação. Manejo eficiente, nutrição equilibrada, infraestrutura adequada e protocolos sanitários bem executados se mostraram determinantes para reduzir perdas e melhorar os resultados do sistema intensivo.
Para o pecuarista, os dados reforçam que a sanidade animal segue sendo um dos pilares fundamentais da gestão do confinamento e um fator decisivo para a sustentabilidade da atividade.



