FOTO: Divulgação l ABCZ
A raça Boran deu mais um passo rumo à consolidação no Brasil. A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) recebeu, na última segunda-feira (27/7), representantes da Associação Brasileira dos Criadores de Boran (ABCBoran) para discutir o processo de inclusão da raça no sistema de registros genealógicos da entidade. A iniciativa atende a uma solicitação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pode tornar o Boran a mais nova raça zebuína oficialmente registrada no país.
A reunião ocorreu na sede da ABCZ e reuniu dirigentes, técnicos, criadores e consultores envolvidos na implantação da raça no Brasil. O principal objetivo foi avançar nas definições técnicas necessárias para que o processo de registro genealógico siga para as próximas etapas.
Raça Boran reúne características valorizadas na pecuária de corte
Originária da África e voltada à produção de carne, a raça Boran é reconhecida por atributos valorizados na pecuária tropical, como rusticidade, fertilidade, precocidade, longevidade e capacidade de adaptação a diferentes sistemas de produção. Os primeiros animais nasceram recentemente em território brasileiro, marcando o início da formação do rebanho nacional.
Segundo o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, o registro genealógico representa um passo decisivo para o desenvolvimento da raça. “O registro genealógico é o alicerce para a instalação e evolução de qualquer raça no Brasil. Unindo forças à ABCBoran, estamos trabalhando para que esta raça cresça e contribua para o desenvolvimento da nossa pecuária”, destacou.
Para o presidente da ABCBoran, André Rodini, a chegada da raça Boran amplia as alternativas genéticas disponíveis aos pecuaristas brasileiros. “O Boran é a última grande raça zebuína comercial a chegar ao Brasil. Ela vem para complementar a pecuária nacional, somando características importantes e um bom potencial produtivo. É uma honra participar desse momento ao lado da maior associação de criadores de bovinos do mundo”, afirmou.
Entre os temas discutidos durante o encontro esteve a definição do padrão racial, etapa fundamental para a efetivação do registro genealógico. De acordo com o consultor de melhoramento genético da ABCBoran, Guilherme Costa, a raça também apresenta potencial para ampliar as possibilidades de cruzamentos entre zebuínos.
“Tratamos de temas como o padrão racial e os procedimentos que deverão ser adotados. O Boran tem potencial para contribuir com a pecuária nacional, especialmente por ampliar as possibilidades de heterose entre as raças zebuínas”, explicou.

Pioneiro na introdução do material genético da raça no país, o criador Godofredo Gonçalves Filho destacou que a parceria com a ABCZ será determinante para a expansão do Boran no mercado brasileiro.
“Os primeiros exemplares nasceram há poucas semanas e temos muito orgulho de fazer parte desse processo. A estrutura e a capacidade técnica da ABCZ serão fundamentais para fortalecer e difundir a raça no país”, ressaltou.
O criador Guilherme Gervásio, que atua há mais de duas décadas com seleção genética de bovinos zebuínos, também acredita no potencial da nova raça.
“É uma raça antiga e já consolidada na África, que há cerca de 15 anos chegou ao Paraguai, de onde trouxemos os melhores exemplares. Com a capacidade e o alcance da ABCZ, estamos confiantes de que o Boran conquistará espaço em todo o território nacional”, disse.
Registro genealógico abre caminho para a expansão da raça Boran
Segundo o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian, a inclusão da raça Boran já foi aprovada pelo Conselho Deliberativo Técnico (CDT), condicionada apenas à definição oficial do padrão racial.
De acordo com ele, o documento elaborado por uma comissão técnica foi validado durante a reunião, permitindo que o processo avance para as próximas fases.
Os próximos passos serão conduzidos em conjunto pela ABCZ, pela ABCBoran e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Caso a tramitação seja concluída, a raça Boran passará a integrar oficialmente o sistema de registros genealógicos da entidade, fortalecendo a diversidade genética disponível aos pecuaristas e ampliando as alternativas para programas de melhoramento voltados à produção de carne.