O Brasil terá acesso a uma reserva de antígenos congelados com capacidade para a produção de até 10 milhões de doses de vacina contra a febre aftosa em caso de uma emergência sanitária. A estrutura permitirá uma resposta rápida diante da eventual identificação de um novo foco da doença no país.
O banco está localizado em um laboratório em Garín, na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina, e faz parte de uma parceria envolvendo o governo brasileiro, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Biogénesis Bagó.
Segundo informações divulgadas pelo Giro do Boi, a estratégia não prevê a manutenção de milhões de vacinas prontas. O que fica armazenado são os antígenos necessários para a formulação do imunizante caso uma emergência seja identificada.
Vacina poderá ser disponibilizada em até sete dias
Uma das principais características da estrutura é a velocidade prevista para responder a uma eventual ocorrência de febre aftosa.
Segundo o médico-veterinário Fabrício Bortolanza, gerente de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios Brasil da Biogénesis Bagó, após a identificação de um foco e o acionamento do banco, o antígeno pode ser descongelado e a vacina formulada em até quatro dias.
A previsão é de que as doses estejam disponíveis para atendimento à região afetada em até sete dias.
A opção pelo armazenamento dos antígenos, em vez de vacinas prontas, busca evitar que milhões de doses percam a validade sem necessidade de utilização. Caso ocorra uma emergência, a produção poderá ser direcionada de acordo com as medidas estabelecidas pelas autoridades sanitárias.
Laboratório precisa manter estrutura pronta
Ter os antígenos armazenados é apenas uma parte do sistema necessário para uma resposta rápida.
O laboratório também precisa permanecer preparado para iniciar a produção assim que houver o acionamento, mantendo disponíveis equipamentos e materiais utilizados na formulação e no envase das vacinas.
Isso inclui desde insumos de produção até frascos e outros componentes necessários para que o processo possa começar sem atrasos.
Brasil é livre de febre aftosa sem vacinação
A estratégia ganha importância após o Brasil deixar de realizar a vacinação rotineira contra a febre aftosa e alcançar o reconhecimento internacional de país livre da doença sem vacinação.
Esse novo cenário, entretanto, não elimina a necessidade de vigilância. Pelo contrário, exige atenção permanente aos protocolos sanitários para reduzir o risco de reintrodução do vírus e permitir uma resposta rápida diante de qualquer suspeita.
Para o produtor rural, a retirada da vacinação também reforça a importância de manter os demais cuidados sanitários do rebanho em dia. A prevenção e o acompanhamento das condições dos animais continuam fundamentais não apenas em relação à febre aftosa, mas também a outras enfermidades.
Eventual foco pode afetar exportações brasileiras
Além dos impactos sanitários dentro das propriedades, uma eventual ocorrência de febre aftosa pode provocar consequências para toda a cadeia da carne bovina.
Entre os principais riscos estão possíveis restrições comerciais e embargos às exportações brasileiras, aumentando a importância de mecanismos capazes de acelerar a resposta das autoridades diante de um foco.
Antes de uma eventual vacinação emergencial, porém, é necessário identificar e caracterizar o vírus envolvido. Segundo Bortolanza, essa etapa é um dos principais desafios para uma resposta rápida e envolve o Ministério da Agricultura e a Panaftosa.
O banco de antígenos funciona, portanto, como uma ferramenta dentro de uma estratégia sanitária mais ampla e não significa que a vacinação será automaticamente retomada diante de qualquer suspeita.
Reserva reforça capacidade de resposta do país
A estrutura integra uma parceria público-privada entre o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Tecpar e a Biogénesis Bagó. O objetivo é manter o Brasil preparado para produzir novamente vacinas contra a febre aftosa caso seja necessário, sem precisar armazenar milhões de doses prontas sujeitas ao vencimento.
Com capacidade potencial para 10 milhões de doses, o banco passa a integrar a estratégia de preparação para emergências sanitárias em um momento no qual o país precisa conciliar o status de livre de febre aftosa sem vacinação com a manutenção de mecanismos de vigilância e reação rápida.
Fonte: Giro do Boi