MERCADO DO COURO

Couro bovino: exportações batem recorde em volume, mas faturamento recua

Mesmo com embarques em alta, queda no valor agregado dos produtos pressiona a receita do setor

Por Cássia Carolina

O mercado de couro bovino começou 2026 em ritmo mais lento, mas já mostra sinais de recuperação nos preços, impulsionado principalmente pela menor oferta de matéria-prima. No entanto, apesar do avanço nos embarques, o faturamento do setor segue em queda — um cenário que acende o alerta para a perda de valor agregado na cadeia.

Couro bovino exportações batem recorde em volume, mas faturamento recua

FOTO: Reprodução l Scot Consultoria

Preço do couro reage com menor oferta

Segundo dados da Scot Consultoria, divulgados em 14 de abril, os preços do couro subiram no Brasil Central. O couro verde de primeira linha está cotado em R$0,75/kg, enquanto o couro comum alcança R$0,65/kg, com altas de 15,4% e 18,2%, respectivamente.

No Rio Grande do Sul, a cotação chegou a R$1,00/kg, avanço de 11,1%. Os valores são à vista e livres de impostos.

Volume recorde nas exportações

Apesar da menor oferta interna, o Brasil registrou forte desempenho nas exportações de couro bovino. Em março, foram embarcadas 58,7 mil toneladas, o maior volume já registrado para o mês na série histórica.

O resultado representa alta de 4,3% na comparação anual, embora tenha havido recuo de 4,2% frente a fevereiro.

A pauta exportadora segue concentrada em produtos de menor valor agregado:

Faturamento em queda mesmo com mais vendas

Na contramão do volume, o faturamento com exportações somou US$ 94,3 milhões em março, queda de 7,3% na comparação anual e de 1,9% em relação ao mês anterior.

O dado evidencia um problema estrutural: o Brasil está exportando mais, porém com menor valor agregado.

Enquanto o couro acabado — produto de maior valor — representa apenas 5,9% do volume, ele responde por 41,8% da receita. Já o wet-blue, dominante nos embarques, concentra 40,3% do faturamento.

Perda de valor agregado ao longo dos anos

A análise de longo prazo reforça essa tendência. Nos últimos 13 anos:

O principal motivo é a mudança na composição das exportações.

A participação do couro acabado caiu de 16,7% em 2014 para 7,1% em 2025. Já o couro salgado avançou de 1,0% para 21,2% no mesmo período.

Esse movimento indica que o Brasil tem exportado cada vez mais produtos em estágios iniciais de processamento, reduzindo o potencial de geração de receita.

Diferença de preços explica o cenário

Os preços médios por tipo de couro deixam claro o impacto do valor agregado:

A diferença é significativa. Produtos mais processados chegam a valer mais de 10 vezes o preço das matérias-primas.

O que isso significa para o pecuarista?

Para o produtor, o cenário do couro bovino reforça a importância de acompanhar não apenas o volume de abate, mas também a dinâmica da indústria e do mercado internacional.

A valorização recente no preço interno é positiva, mas o enfraquecimento do faturamento externo indica desafios estruturais para a cadeia.

O avanço das exportações com menor valor agregado limita o potencial de crescimento da receita e mostra que há espaço para maior industrialização e agregação de valor dentro do país.

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