FOTO: Divulgação l Embrapa
Com a aproximação do período de estiagem na região Centro-Oeste, produtores rurais já começam a intensificar o planejamento alimentar das propriedades para evitar prejuízos no desempenho do rebanho. Durante a seca, a redução das chuvas compromete diretamente a oferta e a qualidade das pastagens, exigindo estratégias nutricionais eficientes para manter os animais saudáveis e produtivos.
Segundo informações da Embrapa, o inverno nas principais regiões pecuárias do país é marcado por baixa umidade relativa do ar, alta amplitude térmica e escassez de chuvas, fatores que afetam diretamente a produção de forragem.
O pesquisador Luiz Orcírio Fialho de Oliveira, da Embrapa Gado de Corte, destaca que o primeiro passo para enfrentar o período crítico é avaliar a quantidade de forragem disponível na propriedade.
“As pastagens produzem, em média, até 40% para cultivares de Brachiaria e até 20% para cultivares de Panicum do estimado da produção anual”, explica o pesquisador.
Planejamento é fundamental durante a seca
Além de medir a oferta de alimento, o produtor precisa calcular a demanda do rebanho ao longo dos meses mais secos do ano. De acordo com a Embrapa, a capacidade de suporte das pastagens reduz significativamente nesse período.
Estudos conduzidos pela instituição mostram que pode ser necessária uma redução entre 30% e 50% da carga animal para manter ganhos positivos de peso no rebanho bovino.
Caso o pecuarista opte por manter maior número de animais na propriedade, será necessário investir em suplementação alimentar com volumosos armazenados e concentrados nutricionais.
Vedação de pastagens ajuda a reduzir custos
Entre as alternativas recomendadas para o manejo do gado durante a seca está a vedação de parte das pastagens ainda no final do período chuvoso.
A estratégia consiste em reservar cerca de 20% a 30% da área da fazenda para formação de estoque de capim que será utilizado posteriormente pelos animais.
Segundo o pesquisador, essa é uma das alternativas mais econômicas para o produtor rural, já que a forragem permanece armazenada no próprio campo.
Por outro lado, o manejo exige planejamento, já que o fechamento de áreas sem ajuste da lotação pode causar superpastejo nas demais áreas da propriedade.
Forrageiras de safrinha ampliam alternativas nutricionais
Outra estratégia utilizada por pecuaristas é o cultivo de forrageiras de safrinha, principalmente em sistemas de integração lavoura-pecuária.
Além das cultivares de Brachiaria e Panicum, podem ser utilizadas opções como milheto, leguminosas e aveia, especialmente em regiões mais frias do país.
A diversificação das forrageiras ajuda a garantir maior estabilidade alimentar ao rebanho durante a seca.
Silagem e feno são aliados da pecuária
A produção de silagem também aparece entre as principais soluções para atravessar o período seco com menor impacto produtivo.
Milho, sorgo e capins podem ser utilizados na fabricação de silagens, desde que haja planejamento adequado da colheita e da armazenagem.
Segundo a Embrapa, no caso de silagem de milho e sorgo, o ideal é utilizar lavouras plantadas na safrinha, lembrando que o material só pode ser utilizado cerca de 30 dias após o fechamento do silo.
Já a silagem de capim exige atenção ao ponto ideal de corte para evitar perdas nutricionais.
“O importante é que a silagem esteja pronta para ser utilizada antes do período da seca, a fim de não prejudicar a oferta de alimento aos animais”, ressalta Luiz Orcírio.
O pesquisador também destaca o uso do feno como alternativa eficiente para suplementação alimentar do rebanho bovino, embora a produção exija maior nível tecnológico e investimentos em equipamentos.
Mesmo com desafios operacionais, gramíneas e leguminosas como estilosantes e amendoim forrageiro podem ser utilizadas na fabricação de fenos com boa qualidade nutricional.
Diante de um cenário climático cada vez mais desafiador, especialistas reforçam que planejamento e manejo estratégico são fundamentais para garantir produtividade, preservar o desempenho animal e reduzir prejuízos durante a seca.