FOTO: Divulgação l Arco
O Dia da lã será palco de debates sobre um dos principais caminhos para aumentar a competitividade da ovinocultura brasileira: a certificação da produção. A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) promoverá, no dia 30 de julho, em Sant’Ana do Livramento (RS), a terceira edição do encontro, reunindo produtores, técnicos, pesquisadores, representantes da indústria e profissionais ligados à cadeia da lã.
Entre os principais assuntos da programação está a ampliação do Programa Lã Certificada, iniciativa da Arco que completa cinco anos e busca levar mais valor à fibra produzida no Brasil. O objetivo da entidade agora é expandir a participação, especialmente entre os pequenos ovinocultores, para que um número maior de produtores tenha acesso aos benefícios proporcionados pela certificação.
Programa completa cinco anos com resultados positivos
Criado em um período de forte instabilidade para o mercado internacional, durante a pandemia, o Programa Lã Certificada nasceu em um momento considerado um dos mais difíceis para o comércio mundial da fibra.
Segundo o coordenador do programa, Sérgio Muñoz, a Arco decidiu manter o projeto porque entendia que a certificação seria essencial para fortalecer a produção nacional e preparar o setor para a retomada do mercado.
“Começamos o programa em um dos piores momentos do comércio de lãs da história. Mesmo assim, tínhamos certeza de que os melhores dias viriam e de que não existia outro caminho senão certificar as nossas lãs”, afirma.
A iniciativa foi construída com base na experiência acumulada por Uruguai e Argentina, países reconhecidos pela tradição na produção de lã de qualidade. Essa parceria técnica permanece ativa e será novamente apresentada durante o evento, com a participação de especialistas uruguaios.
Certificação agrega valor e melhora a remuneração do produtor
Além de estabelecer padrões para a esquila, o acondicionamento e a classificação da fibra, a certificação tem proporcionado ganhos financeiros aos produtores.
De acordo com Muñoz, as lãs certificadas, principalmente as de menor micronagem, alcançam remuneração significativamente superior à obtida por produtos comercializados pelo sistema convencional. Em alguns casos, esse diferencial ultrapassa 100%.
Segundo ele, esse retorno econômico foi decisivo para convencer mais criadores a aderirem ao programa. “A melhor maneira de mudar uma cultura é mostrar o resultado no bolso do produtor. Felizmente, esse resultado veio”, disse.
Ao mesmo tempo, a indústria recebe uma matéria-prima mais uniforme e preparada para atender mercados que exigem elevados padrões de qualidade, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Pequenos produtores estão entre as prioridades da Arco
Apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, a Arco avalia que ainda existem desafios para ampliar a adesão ao Programa Lã Certificada.
Entre eles estão a necessidade de formar mais profissionais especializados em esquila certificada, ampliar a participação da indústria nacional e reduzir os impactos logísticos enfrentados pelos pequenos criadores.
A intenção é criar condições para que esses produtores, muitos deles já investindo em genética e produzindo lã de excelente qualidade, também consigam agregar valor ao produto por meio da certificação.
Dia da lã discutirá mercado e perspectivas para a próxima safra
A programação do Dia da lã incluirá a apresentação dos indicadores mais recentes do Programa Lã Certificada, análises sobre o comportamento do mercado internacional e experiências de produtores que já comercializam lã certificada.
Também estão previstas mesas-redondas reunindo representantes da indústria, esquiladores e produtores para discutir soluções para os principais gargalos da atividade.
Segundo Sérgio Muñoz, esse diálogo entre todos os elos da cadeia será um dos momentos mais importantes do encontro, permitindo construir estratégias para ampliar a competitividade da ovinocultura brasileira.
O cenário de mercado também é considerado favorável. Conforme o coordenador, os preços internacionais da lã retornaram aos níveis registrados antes da pandemia e acumulam valorização entre 60% e 70% em diferentes categorias de finura da fibra.
Com esse ambiente mais positivo, a expectativa da Arco é ampliar a participação de produtores no Programa Lã Certificada e fortalecer ainda mais a produção de lã de qualidade no país.