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MULHERES NO AGRO

Dia Internacional da Mulher: Cavalo Crioulo atrai cada vez mais competidoras nas provas da raça

Participação feminina cresce em provas tradicionais da raça, como Freio, Doma e Marcha, mostrando a força das mulheres nas pistas e na cultura do Cavalo Crioulo

Por Cássia Carolina
08 de março de 2026 às 09h00
Dia Internacional da Mulher Cavalo Crioulo atrai cada vez mais competidoras nas provas da raça

Manuela Wolf, atual campeã da Marchita. FOTO: Alice da Rosa

O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste dia 8 de março, também evidencia a presença crescente das mulheres em um dos ambientes mais tradicionais do campo: as competições do Cavalo Crioulo. Em provas como Freio, Doma e Marcha, a participação feminina tem aumentado e revelado novos talentos nas pistas, fortalecendo a cultura da raça e ampliando o protagonismo das ginetes.

A diversidade de perfis chama atenção. Meninas, jovens e mulheres experientes dividem espaço em competições por todo o país, movidas por um sentimento comum: a paixão pelo Cavalo Crioulo e pelas tradições que cercam a raça.

Mulheres ganham destaque nas provas do Cavalo Crioulo

Um exemplo recente vem da ginete Manuela Wolf, atual campeã da Marchita. Montando a égua Já TE Disse de Santa Adélia, ela percorreu os 160 quilômetros da prova em 10 horas, 14 minutos e 15 segundos, superando mais de 60 conjuntos.

Para Manuela, as competições do Cavalo Crioulo mostram que o desempenho nas pistas não depende de gênero. “Não há espaço para diferenças nas provas do Cavalo Crioulo”, diz a campeã.

Além das conquistas esportivas, ela destaca que o ambiente das competições também fortalece laços entre participantes e cria novas amizades dentro da comunidade crioulista.

Novas gerações reforçam presença feminina

O crescimento da participação feminina também aparece entre as novas gerações. A jovem Victória Rissi, de apenas 14 anos, tornou-se a mulher mais jovem a se credenciar para o Freio de Ouro no ciclo profissional.

Victória Rissi, de apenas 14 anos, tornou-se a mulher mais jovem a se credenciar para o Freio de Ouro no ciclo profissional

Victória Rissi tornou-se a mulher mais jovem a se credenciar para o Freio de Ouro no ciclo profissional. FOTO: Fernando Spolavori

Montando a égua ZR Macedônia, Victória conquistou o quarto lugar na Credenciadora Aberta de Fêmeas realizada em Caxias do Sul (RS), em dezembro de 2025.

A ginete de Picada Café (RS) convive com cavalos desde muito cedo: começou a montar aos dois anos de idade e iniciou nas competições aos sete, no Freio Jovem.

Entre os principais resultados da jovem estão:

  • 1º lugar na categoria Infantil A da Supercopa em 2022 
  • Dobradinha de 1º e 2º lugar nas provas de Vaquero/Working Cow Horse em 2024 
  • Classificação para a final da Doma de Ouro após vitória no Redomão 

Segundo Victória, o incentivo da família foi decisivo para seguir nas pistas. “Minha família me acompanha e meu pai me ajuda nos treinos. Para as meninas que têm o mesmo sonho que eu, digo para nunca desistirem”, ressalta.

Histórias que inspiram outras meninas

Outra jovem que ganhou destaque nas redes sociais foi Helena Arruda, campeã da categoria feminina do Freio Jovem em novembro do ano passado.

Montando o cavalo ZR Isaque, apelidado de Black, a pequena ginete viralizou ao compartilhar uma carta em que relatava o sonho de vencer a competição.

Helena Arruda, campeã da categoria feminina do Freio Jovem em novembro do ano passado.

Helena Arruda, campeã da categoria feminina do Freio Jovem em novembro de 2025. FOTO: Alex Quevedo

Natural de São José (SC), Helena começou a montar ainda no primeiro ano de vida, após ganhar um pônei de presente. Incentivada pela família, passou a competir nas provas da raça aos cinco anos.

Agora, seus objetivos incluem disputar novas provas e seguir evoluindo nas pistas. “Era o meu sonho ganhar o Freio Jovem, foi muito bom para mim. Treine muito porque você pode conseguir”, aconselha.

Dia Internacional da Mulher reforça protagonismo feminino no campo

No Dia Internacional da Mulher, histórias como as de Manuela, Victória e Helena mostram que o espaço feminino nas competições do Cavalo Crioulo cresce a cada temporada.

Mais do que resultados nas pistas, o movimento também representa a continuidade das tradições do campo, aproximando novas gerações do cavalo e da cultura rural.

Para muitas dessas competidoras, o principal prêmio vai além das medalhas.

“As maiores conquistas envolvem o nascimento de novas amizades e a oportunidade de conhecer e compreender o cavalo, que é um ser espetacular”, resume Manuela Wolf.

Assim, a presença feminina nas competições da raça reforça que a paixão pelo Cavalo Crioulo segue conquistando espaço — e cada vez mais mulheres — dentro e fora das pistas.