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Índia pode movimentar US$ 9 bilhões por ano para o agro brasileiro até 2030

País mais populoso do mundo ganha protagonismo nas estratégias de exportação e pode se tornar um dos principais mercados para o agronegócio brasileiro

Cassia Carolina Cassia Carolina 6 de março de 2026 às 16h21
Índia pode movimentar US$ 9 bilhões por ano para o agro brasileiro até 2030

FOTO: Ministério da Agricultura l Divulgação

A Índia começa a ganhar espaço no radar do agronegócio brasileiro como um dos mercados mais promissores da próxima década. Segundo estimativas do Ministério da Agricultura, se a parceria comercial avançar, o país asiático poderá representar 8% das exportações do agro brasileiro até 2030, movimentando cerca de US$ 9 bilhões por ano.

O movimento faz parte de uma estratégia de diversificação de mercados liderada pelo governo brasileiro, que recentemente realizou uma das maiores missões econômicas da atual gestão em Nova Délhi. O objetivo é aproximar o Brasil da nação mais populosa do mundo e ampliar as oportunidades para produtos agrícolas e proteínas animais.

Para o professor de Agronomia da UniCesumar, Tiago Costa, a relevância da Índia cresce à medida que o país passa por transformações econômicas e demográficas. Segundo ele, o aumento da renda e a expansão da classe média urbana estão impulsionando o consumo de alimentos e proteínas.

“A Índia mantém-se como a nação mais populosa do mundo, com uma classe média urbana cujo poder aquisitivo tem crescido cerca de 7% ao ano desde 2022. Esse cenário intensifica a demanda por proteínas e alimentos de maior valor agregado”, explica.

Índia surge como alternativa estratégica para o agro

A aproximação com a Índia também responde a um desafio importante para o agronegócio brasileiro: a forte dependência de poucos mercados compradores.

Em 2025, por exemplo, 40% das exportações do agro brasileiro tiveram como destino a China, que absorveu cerca de US$ 54 bilhões em produtos do setor. Apesar da relevância do parceiro asiático, episódios de suspensão nas compras de carne bovina mostraram os riscos dessa concentração.

Segundo Costa, diversificar destinos é fundamental para aumentar a segurança comercial do setor.

“A dependência de um único mercado traz vulnerabilidades. Por isso, ampliar relações com países como a Índia e outros emergentes asiáticos é essencial para reduzir riscos e aumentar a resiliência do agronegócio”, afirma.

Proteínas e alimentos ganham espaço no mercado indiano

Atualmente, alguns produtos já apresentam bom desempenho nas exportações brasileiras para a Índia.

Entre os destaques estão:

  • óleo de soja

  • açúcar

  • algodão

Mas o potencial vai além das commodities tradicionais. Produtos de maior valor agregado também começam a ganhar espaço no mercado indiano.

As exportações de carne de frango, por exemplo, cresceram 21% em 2025, atingindo cerca de US$ 85 milhões. O café brasileiro também avançou e superou US$ 38 milhões em vendas, enquanto frutas tropicais como manga e melão conquistam consumidores jovens e urbanos.

Esse cenário indica que, no médio prazo, o país pode ampliar a demanda por proteínas e alimentos industrializados, abrindo novas oportunidades para produtores brasileiros.

Desafios logísticos e sanitários ainda existem

Apesar do potencial, entrar de forma mais robusta no mercado da Índia exige superar alguns obstáculos.

O país mantém tarifas de importação que podem chegar a 35% para carnes, além de exigências sanitárias e fitossanitárias rigorosas.

Outro desafio está na logística. O transporte marítimo entre o porto de Santos e Mumbai, principal porta de entrada das mercadorias brasileiras, leva cerca de 28 dias.

Mesmo assim, especialistas avaliam que o potencial de crescimento compensa as barreiras atuais.

Índia pode se tornar novo motor das exportações do agro

Se o avanço das negociações comerciais se confirmar, a Índia poderá assumir um papel semelhante ao que a China desempenhou no crescimento do agronegócio brasileiro nas últimas décadas.

Com 1,44 bilhão de habitantes e uma classe média em rápida expansão, o país representa um mercado gigantesco para alimentos, proteínas e tecnologia agrícola.

Para o especialista, fortalecer essa parceria tende a gerar impactos positivos em toda a cadeia produtiva.

“O avanço da relação com a Índia tende a impulsionar inovação, sustentabilidade e reputação internacional do agronegócio brasileiro, fortalecendo a balança comercial e contribuindo para o crescimento do setor”, conclui Costa.

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