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MERCADO DA PECUÁRIA

China, México e EUA: o que muda para a carne bovina brasileira em 2026

Medidas da China e do México podem alterar o ritmo das vendas externas após um ano histórico para a pecuária

Por Cássia Carolina
18 de janeiro de 2026 às 09h00
China, México e EUA o que muda para a carne bovina brasileira em 2026

FOTO: Reprodução l Scot Consultoria

Depois de um 2025 marcado por números históricos, o início de 2026 traz um novo elemento ao radar do pecuarista: as exportações de carne bovina podem perder fôlego, o que levanta a possibilidade de maior volume permanecendo no mercado interno.

Segundo análise da Scot Consultoria, o Brasil exportou 3,1 milhões de toneladas de carne bovina in natura em 2025, alta de 21,4% frente a 2024. Além do volume recorde, os preços médios mais elevados garantiram faturamento histórico ao setor.

Exportação brasileira de carne bovina in natura.

Exportação brasileira de carne bovina in natura. Fonte: Secex / Elaboração: Scot Consultoria.

Produção cresce, mas oferta interna encolhe

O desempenho externo acompanhou um ano de forte produção. O abate bovino chegou a 40,7 milhões de cabeças (+2,7%) e a produção alcançou 12,4 milhões de toneladas equivalente carcaça, colocando o Brasil como maior produtor global de carne bovina.

Mesmo assim, a disponibilidade interna caiu levemente, para 8,1 milhões de toneladas, conforme dados do USDA, mostrando que a exportação foi decisiva para sustentar preços mais firmes da arroba ao longo de 2025.

China, México e EUA: caminhos diferentes em 2026

Em 2025, China, Estados Unidos, Chile, México e Rússia lideraram os destinos da carne bovina brasileira. Para 2026, porém, esses mercados seguem trajetórias distintas.

A China, principal comprador, anunciou cotas por país e tarifa adicional de 55% para volumes excedentes. Apesar de o Brasil ter recebido a maior cota, ela é inferior ao volume embarcado nos dois últimos anos, o que limita o crescimento das vendas.

O México também adotou cotas, permitindo a importação de 70 mil toneladas sem tarifa. O excedente será taxado em 20%, reduzindo a competitividade do produto brasileiro.

Na contramão, os Estados Unidos, segundo maior destino, retiraram o “tarifaço” no fim de 2025, devolvendo previsibilidade ao comércio justamente em um período estratégico para o preenchimento de cotas.

Mais carne no mercado interno?

Com esse cenário, a expectativa é de uma queda de cerca de 5,9% nas exportações em 2026, ainda assim mantendo o segundo maior volume da história. A produção também deve recuar, em torno de 5,3%, reflexo da menor participação de fêmeas nos abates após anos de descarte intenso.

Participação (%) da exportação e do mercado interno na produção brasileira de carne bovina.

Participação (%) da exportação e do mercado interno na produção brasileira de carne bovina. *estimativa
Fonte: USDA Elaboração: Scot Consultoria.

Como a produção tende a cair menos que a exportação, a oferta doméstica pode crescer levemente, em torno de 0,2 ponto percentual. Caso China e México utilizem apenas os volumes previstos em suas cotas, esse efeito pode ser mais intenso.

O que isso significa para o pecuarista?

Apesar do cenário externo mais restritivo, a avaliação para 2026 segue positiva para o produtor. A expectativa de menor oferta de boiadas, aliada a um mercado interno sustentado por maior renda e consumo, aponta para preços firmes da arroba.

Com fundamentos sólidos, eficiência produtiva e decisões estratégicas, da genética ao manejo de pastagens, incluindo o uso de sementes híbridas, o pecuarista entra em 2026 diante de um mercado mais equilibrado, onde ajustes nas exportações não significam perda de rentabilidade, mas reorganização dos fluxos da carne bovina brasileira.