FOTO: Philippe Lima l Divulgação
O preço médio do leite pago ao produtor voltou a subir em junho e encerrou o primeiro semestre de 2026 com valorização acumulada de 33,1%. O resultado reforça um cenário de mercado mais favorável ao pecuarista leiteiro, sustentado pela firmeza dos derivados e pelo ritmo mais lento de crescimento da captação em diversas regiões do país. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (31) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Na chamada “Média Brasil” líquida, o preço médio do leite cru captado por laticínios alcançou R$ 2,7464 por litro em junho, alta de 3,02% em relação a maio. Apesar do avanço mensal, o valor ainda ficou 0,86% abaixo do registrado em junho de 2025, considerando os preços corrigidos pela inflação medida pelo IPCA.
No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a média foi de R$ 2,4659 por litro. Embora represente crescimento de 33,1% ao longo do semestre, esse patamar ainda é cerca de 14% inferior ao observado no mesmo período do ano passado.
Oferta limitada mantém disputa pela matéria-prima
Segundo o Cepea, a valorização do leite no campo foi impulsionada principalmente pela combinação entre o mercado firme de derivados e uma recuperação da produção mais lenta do que o esperado em algumas bacias leiteiras.
O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) registrou alta de 2,76% entre maio e junho na Média Brasil. Entretanto, no acumulado de 2026, a captação ainda apresenta retração de 11,4%, indicando que a oferta segue abaixo do esperado.
Esse cenário manteve elevada a concorrência entre os laticínios pela matéria-prima, contribuindo para a sustentação dos preços pagos ao produtor.
Custos seguem praticamente estáveis
Outro fator positivo para o pecuarista foi a estabilidade dos custos de produção.
O Custo Operacional Efetivo (COE), calculado pelo Cepea, apresentou pequena alta de apenas 0,24% em junho. O resultado foi influenciado pela queda nos preços das matérias-primas utilizadas na fabricação de rações, que compensou o aumento da demanda pelos insumos.
No acumulado do primeiro semestre, o COE avançou 2,04%, percentual bem inferior à valorização observada no preço do leite ao produtor.
Derivados apresentam comportamento misto
Pesquisa realizada pelo Cepea com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostrou estabilidade nos principais derivados lácteos durante junho.
O preço da muçarela subiu discretamente 0,08%, atingindo média de R$ 35,19 por quilo. Já o leite em pó registrou alta de 0,38%, com média de R$ 31,89 por quilo.
Na contramão, o leite UHT apresentou queda de 3,07% frente a maio, encerrando o mês com preço médio de R$ 4,53 por litro.
Importações recuam no mês, mas seguem acima de 2025
No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos diminuíram 4,17% entre maio e junho, totalizando 216,76 milhões de litros em equivalente leite, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Apesar da redução mensal, o volume importado permanece elevado. Na comparação com junho de 2025, houve aumento de 35,11%, enquanto no acumulado do primeiro semestre as compras externas cresceram 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Perspectiva é de estabilidade com viés de alta
De acordo com a análise do Cepea, os estoques reduzidos de derivados e a oferta ainda limitada de leite cru devem continuar sustentando o mercado nas próximas semanas.
A expectativa é de estabilidade nos preços, com viés de alta no curto prazo. Para o terceiro trimestre, a tendência é de aumento gradual da produção, o que poderá reduzir a pressão sobre a disputa pela matéria-prima sem provocar mudanças bruscas na remuneração ao produtor.