FOTO: Associação Brasileira Santa Gertrudis
Quando o assunto é melhoramento genético na pecuária de corte, uma regra básica deve guiar o trabalho do produtor: a seleção da raça precisa ser feita em um ambiente o mais próximo possível da realidade em que essa genética vai trabalhar. Afinal, de nada adianta selecionar animais em sistemas altamente artificializados se o objetivo final é entregar um touro funcional para cobrir a campo.
Em bate-papo com Gustavo Barretto, vice-presidente da Associação Brasileira de Santa Gertrudis (ABSG), o zootecnista Maury Dorta, da Embrapa Geneplus, destacou que a função primordial da raça Santa Gertrudis no Brasil é produzir touros para cruzamento industrial capazes de trabalhar de norte a sul do país. Por isso, a seleção do rebanho puro deve ocorrer em condições comerciais de pastagem, geralmente de mediana a baixa qualidade, sem que o animal passe por privações, mas também sem o uso de superalimentação que mascararia seu desempenho real.
Uma avaliação genética conduzida em ambiente desafiador permite que as verdadeiras diferenças entre os animais de um mesmo grupo se expressam. Esse processo evidencia quais indivíduos são realmente superiores e aptos a transmitir rusticidade e ganho de peso para a prole.
Rusticidade comprovada do litoral ao agreste
A experiência de campo de Gustavo Barretto comprova essa capacidade de adaptação na prática. Com a criação da raça Santa Gertrudis consolidada há 45 anos em Sergipe, Gustavo vivencia o comportamento do gado em cenários climáticos e de manejo completamente distintos.
Na zona litorânea e na Zona da Mata sergipana, com pluviometria na casa dos 1.300 mm anuais e pastagens com alta umidade, ambiente que muitas vezes se assemelha às condições do Pantanal, os animais mantêm seu desempenho devorando a pastagem mesmo em áreas alagadiças. Já no Agreste sergipano, no município de Carira, o rebanho se adapta com facilidade ao manejo na palhada de milho durante os períodos de seca.
Essa versatilidade explica a presença e o sucesso do Santa Gertrudis em regiões tão variadas do Brasil, com criadores e clientes ativos do Rio Grande do Sul até o Pará e Goiás.
Seleção no campo, preparação para o mercado
Tanto para Gustavo Barretto quanto para Maury Dorta, o ponto central está no fato de que todo o ciclo de seleção da raça ocorre no “mundo real”. As matrizes do sistema de produção vivem no pasto e os bezerros são mantidos a campo junto às mães até a desmama. O acompanhamento segue na fase de sobreano, sob complementação a campo, até a conclusão das avaliações genéticas.
Somente após a finalização de todo o processo de seleção é que os animais destinados à comercialização recebem o preparo adequado para apresentação ao mercado. Esse modelo garante que o comprador leve para a fazenda um reprodutor testado na pecuária de vida real, pronto para gerar resultados na ponta do negócio.
uer conferir esse bate-papo completo entre Gustavo Barretto e Maury Dorta? Assista ao vídeo na íntegra no Canal do Criador!