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CLIMA E PECUÁRIA

Chuvas extremas e pecuária: a ameaça invisível das doenças no rebanho

Ambientes úmidos favorecem a proliferação de agentes infecciosos e exigem atenção redobrada do pecuarista para preservar a saúde dos animais

Por Cássia Carolina
09 de julho de 2025 às 09h00
A ameaça invisível das doenças no rebanho

Foto: Divulgação l Fazenda Pantanal


Entre 2020 e 2023, o Brasil enfrentou 7.539 desastres relacionados a chuvas intensas, como enxurradas, inundações e deslizamentos, segundo o relatório
Temporadas das Águas, da Unifesp. O número representa um aumento de quase 223% em comparação com a década de 1990. A tendência é ainda mais preocupante nas regiões Sul e Sudeste, onde as projeções indicam um crescimento de 30% no volume de chuvas até 2100.

Esses eventos extremos não afetam apenas a infraestrutura das cidades e do campo, mas trazem riscos diretos à saúde de bovinos, como doenças no rebanho, colocando em xeque a produtividade e o bem-estar animal.

Ambientes úmidos favorecem surtos de doenças

Períodos de chuvas intensas criam condições ideais para a proliferação de agentes infecciosos, como bactérias, fungos e vermes. Entre as principais doenças que afetam o rebanho nessas situações, destacam-se:

Mastite

  • Com o barro e a umidade em excesso, os tetos das vacas ficam mais suscetíveis à contaminação.
  • O acúmulo de matéria orgânica nos piquetes e currais favorece infecções, afetando diretamente a produção de leite.

Pododermatites

  • Lesões nos cascos são comuns quando os animais permanecem por muito tempo em áreas encharcadas.
  • Além de causar dor e dificuldade de locomoção, a condição compromete o ganho de peso e a eficiência alimentar.

Verminoses

  • O aumento da umidade nas pastagens favorece o ciclo de vida de vermes gastrointestinais.
  • Animais infectados apresentam perda de apetite, queda de desempenho e maior suscetibilidade a outras enfermidades.

Consequências vão além da saúde animal

O impacto dessas doenças no rebanho vai além do manejo clínico. A produtividade do rebanho é comprometida, o custo com medicamentos e veterinários aumenta, e há risco de perda econômica significativa, especialmente em sistemas de produção intensivos ou com rebanhos de alto valor genético.

Além disso, ambientes mal drenados ou com alta concentração de lama dificultam o manejo diário e aumentam o estresse dos animais, um fator que também influencia diretamente na imunidade.

Estratégias de prevenção nas fazendas

Diante do cenário de chuvas cada vez mais intensas, o pecuarista precisa adotar práticas que reduzam os impactos diretos sobre a sanidade do rebanho. O primeiro passo é reavaliar as áreas de manejo, evitando a permanência prolongada dos animais em locais alagadiços ou com acúmulo de lama. Essas condições, além de favorecerem infecções, dificultam a locomoção e aumentam o estresse dos bovinos.

A estrutura física das instalações também merece atenção. Pisos drenantes, coberturas adequadas e a proteção de áreas sensíveis, como cochos e bebedouros, ajudam a manter os ambientes mais secos e higienizados. A limpeza constante e o descarte correto de matéria orgânica são medidas fundamentais para evitar a proliferação de agentes patogênicos.

Outro ponto importante para evitar doenças no rebanho é a intensificação do monitoramento sanitário. Vermifugações estratégicas, controle de ectoparasitas e protocolos preventivos devem ser adaptados ao novo contexto climático. O acompanhamento técnico de um médico-veterinário pode ser decisivo para prevenir surtos e proteger a produtividade da fazenda.

O aumento da frequência de eventos climáticos extremos no Brasil, como apontam os dados do relatório Temporadas das Águas, exige do setor pecuário uma postura cada vez mais proativa. A adaptação às novas condições do clima torna-se um elemento central para garantir a sustentabilidade da produção e a saúde dos rebanhos em todo o país.