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Suínos: oferta interna deve seguir em expansão em 2023

Analista de Safras & Mercado, Allan Maia lista seis fatores que serão desafiadores para o setor neste primeiro semestre

Publicador Sites Externos Publicador Sites Externos • 8 de janeiro de 2023 às 19h02

O ano de 2023 será desafiador para a suinocultura brasileira, por causa do quadro da disponibilidade de suínos, que seguirá em expansão.

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Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, o primeiro semestre será mais desafiador, por vários fatores, tais como:

1 — Sazonalidade da demanda

Historicamente o consumo da carne suína cai nos primeiros meses do ano devido ao menor poder aquisitivo das famílias, por conta do pagamento de impostos e da compra de materiais escolares. Além disso, temperaturas elevadas do verão impactam o consumo.

2 — Custo de produção

O preço do milho deve se manter em patamares elevados no período, considerando um quadro de logística difícil devido a prioridade do escoamento da soja. Os fretes devem subir. Outro ponto é que o estoque final será curto por conta da forte exportação do atual ano comercial.

A soja deve apresentar um quadro baixista por conta da estimativa de produção recorde, na casa dos 154 milhões de toneladas. O clima é uma variável a ser acompanhada para confirmação da safra. A partir do segundo semestre de 2023, o preço do milho tende a ser pressionado, com a entrada da safrinha no mercado. Os preços firmes do cereal devem levar os produtores a expandir a área de plantio e, consequentemente, haverá maior disponibilidade do produto caso não ocorra quebras.

3 — Preço das proteínas concorrentes

A carne suína é a terceira opção dos brasileiros. O preço dos cortes de frango pode encontrar dificuldade para altas nos primeiros meses de 2023, considerando que o número do alojamento de dezembro e janeiro virão fortes, o que sinaliza para grande produção e disponibilidade, mesmo com a expectativa de forte exportação.

Já os cortes bovinos devem fechar dezembro em queda no atacado e podem encontrar dificuldade para fortes altas no ano que vem, considerando que é esperado avanço de abates. O abate de matrizes deve continuar ocorrendo, o que pesa sobre os preços ao longo da cadeia. Outro ponto a ser acompanhado é a atuação chinesa nas importações de carne bovina.

A China está pagando menos neste momento, o que significa pressão nas margens dos exportadores. Assim, diante do cenário das concorrentes, os cortes suínos precisam ser acessíveis para ganhar a preferência entre os consumidores.

Rebanho suínos - suinocultura

4 — Produção de carne suína

De acordo com o Safras & Mercado, a produção brasileira de carne suína deve alcançar 5,218 milhões de toneladas em 2023, avanço de 3% em relação às 5,067 milhões de toneladas previstas para este ano. Apesar da severa crise vivida pelo setor desde o ano passado, não há sinalização de cortes, a não ser dos independentes mais fragilizados, que estão abandonando a atividade. As margens deterioradas e prejuízos podem acabar afetando a intenção de investimentos das grandes indústrias no decorrer do ano que está por vir.

5 — Exportação brasileira

O Brasil deve exportar 1,072 milhão de toneladas em 2023, de acordo com Safras, queda de 1% se comparado às 1,083 milhão estimadas para esse ano. No segundo semestre de 2022 a China ampliou as compras de carne suína brasileira, o que é positivo.

Caso contrário, a situação do Brasil seria ainda mais difícil. Mas, para os próximos meses, o ritmo de embarques para este destino tende a cair e com possível retração do preço da tonelada, no pior momento possível. Os preços na China estão em queda forte neste momento, quadro que é refletido nos futuros listados na bolsa de Dalian, onde a cotação do contrato spot atingiu patamares registrados há 10 meses.

O mercado precifica aumento de oferta local e demanda enfraquecida. Deste modo, a tendência é que os chineses desacelerem o ritmo de importações até que a sua oferta enxugue, o que deve levar alguns meses. Isso não significa que a China ficará ausente das compras. Avanço de produção e possível queda de exportações nos próximos meses significa maior disponibilidade de carne e dificuldade em relação a preços e margens. A dinâmica dos negócios envolvendo o vivo devem se mostrar acirradas no primeiro semestre de 2023.

6 — Disponibilidade doméstica brasileira

Dados os números de produção e exportação, Maia sinaliza ainda que a disponibilidade doméstica brasileira deve crescer 4% em 2023, alcançando 4,145 milhões de toneladas de carne suína, contra às 3,984 milhões previstas para este ano.

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