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Acordo Brasil–Japão acelera recuperação de pastagens e leva tecnologia ao produtor

Parceria entre Embrapa, Mapa e Jica vai investir em ciência, tecnologia e apoio direto ao produtor para recuperar áreas degradadas no Cerrado

Cassia Carolina Cassia Carolina 20 de novembro de 2025 às 12h00
Acordo Brasil–Japão acelera recuperação de pastagens e leva tecnologia ao produtor

FOTO: Ronaldo Rosa l Divulgação

A recuperação de pastagens ganhou força internacional com a assinatura de um novo acordo entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Embrapa e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). O anúncio foi feito na terça-feira (18/11), durante a COP30, na AgriZone, a Casa da Agricultura Sustentável. Com foco no Cerrado, o projeto pretende transformar áreas degradadas em sistemas produtivos mais eficientes, resilientes e rentáveis para o pecuarista.

Durante a cerimônia, o ministro Carlos Fávaro destacou que a ciência e o financiamento serão os dois pilares do programa Caminho Verde Brasil. Segundo ele, a pesquisa agropecuária terá papel central para orientar investimentos e atingir a meta ambiciosa de recuperar até 40 milhões de hectares em dez anos.

Fávaro lembrou que o governo já destinou um aporte inicial de R$ 30 bilhões, somado a outros R$ 20 bilhões do Plano Safra das últimas três edições, um total de R$ 50 bilhões disponíveis para ações voltadas ao uso sustentável do solo. “Não precisamos avançar sobre o Cerrado e as florestas para garantir o crescimento da produção”, afirmou.

Tecnologia da Embrapa no centro do projeto

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, reforçou que a instituição já participa do programa desde o início, realizando o mapeamento das áreas degradadas e disponibilizando dados de 160 milhões de hectares. Ela destacou tecnologias que apoiam a recuperação de pastagens, como protocolos de baixo carbono, bioinsumos e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Segundo Massruhá, a escolha do projeto liderado pela Embrapa Cerrados entre mais de 18 propostas internas se deu pela abordagem integrada e pela capacidade de acelerar soluções adaptadas à realidade do produtor.

Investimento japonês e quatro eixos estratégicos

O acordo com a Jica envolve um aporte total de US$ 1 bilhão, metade no primeiro ano e metade no segundo. O projeto vai atuar em quatro eixos principais:

  • fortalecimento da resiliência climática;

  • apoio a pequenos e médios produtores;

  • segurança alimentar;

  • expansão do acesso à energia sustentável.

Para a vice-presidente da Jica, Katsura Miyazaki, a parceria será decisiva tanto para mitigação quanto para adaptação às mudanças climáticas. Ela ressaltou que lançar o acordo em plena COP30 simboliza a urgência de soluções sustentáveis para o uso da terra.

O embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, chamou o projeto de “icônico” e lembrou que o tema já vinha sendo discutido em encontros recentes entre líderes dos dois países. Ele também destacou que a degradação das pastagens ameaça a produção e pressiona a Amazônia por desmatamento — reforçando a importância do novo acordo.

Foco no Cerrado e no produtor

A cooperação técnica vai priorizar o desenvolvimento sustentável do Cerrado, área estratégica para a pecuária brasileira. Entre as ações previstas estão:

  • monitoramento das pastagens por satélites;

  • avaliação da saúde do solo;

  • tecnologias para recuperação de pastagens degradadas;

  • capacitação de técnicos e produtores.

Silvia Massruhá agradeceu os pesquisadores da equipe líder — Edson Sano, Júlio Cesar dos Reis, Ieda Mendes e Luiz Adriano Cordeiro — e ressaltou que o investimento da Jica reforça a importância da ciência brasileira.

COP30 destaca o papel da agricultura sustentável

Durante a cerimônia, o ministro Fávaro também afirmou que o principal ativo do Brasil é o clima. “Temos pessoas, tecnologias e terras, mas nada seria possível se estivéssemos num deserto”, disse. Ele agradeceu à Embrapa e aos expositores da AgriZone por mostrarem, durante a COP30, como a agricultura sustentável e baseada em evidências científicas já faz parte da produção nacional.

Para o pecuarista, o acordo representa mais tecnologia disponível no campo, linhas de crédito mais eficientes e oportunidades reais para transformar áreas degradadas em pastos produtivos e rentáveis, fortalecendo toda a cadeia da carne.

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