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Após ano histórico, indústria de carne bovina depende de decisão da China

Setor exportador encerra 2025 em alta, mas aguarda definição chinesa sobre possíveis cotas e tarifas a partir de janeiro de 2026

Cassia Carolina Cassia Carolina 1 de dezembro de 2025 às 14h54
Após ano histórico, indústria de carne bovina depende de decisão da China

FOTO: Reprodução l Freepik

A indústria de carne bovina brasileira encerra 2025 com resultados considerados “históricos”, mas ainda com um ponto de atenção no horizonte: a decisão da China, adiada para janeiro de 2026, sobre a investigação que pode impor salvaguardas às importações. As informações foram divulgadas pelo Globo Rural na última sexta-feira (29/11).

O governo chinês estendeu por mais dois meses o prazo para concluir o processo que avalia se o aumento das compras internacionais, especialmente do Brasil, prejudicou o mercado interno entre 2019 e 2024. O adiamento garante algum fôlego aos frigoríficos, mas mantém a expectativa sobre possíveis cotas e tarifas que podem alterar a dinâmica do maior cliente da carne brasileira.

Exportações recordes e forte presença na China

De janeiro a outubro, o Brasil exportou 2,79 milhões de toneladas de carne bovina para mais de 160 destinos, somando US$ 14,31 bilhões. A China foi responsável por quase metade desse volume: 1,34 milhão de toneladas, equivalentes a US$ 7,1 bilhões.

A projeção é fechar 2025 com o recorde de 3 milhões de toneladas exportadas, sendo 1,6 milhão destinadas à China — número que reforça a centralidade do mercado chinês para a indústria e para o pecuarista brasileiro.

O que a China pode decidir em janeiro

São três cenários principais:

1) Cota global proporcional entre países

A China dividiria uma cota total de importações com tarifa para o excedente. Para o Brasil, o impacto seria moderado devido à liderança atual no fornecimento.

2) Cota global sob administração direta da GACC

Cenário mais crítico para o Brasil, com risco de restrições mais severas e possível desorganização do mercado.

3) Cotas amplas para preservar fornecedores tradicionais

Uma forma de manter o abastecimento sem prejudicar quem já atua no mercado chinês, limitando apenas novos entrantes.

Apesar da incerteza, há consenso de que o Brasil é um fornecedor indispensável. Em 2024, os EUA exportaram menos de 140 mil toneladas para a China, volume ínfimo diante da demanda chinesa e da oferta brasileira. Além disso, os perfis de carne são diferentes: os americanos vendem cortes premium; o Brasil abastece o processamento local.

Por que a China adiou a decisão

De acordo com o Globo Rural, o novo prazo ajuda a China a “ganhar tempo” nas negociações comerciais com os Estados Unidos. O preço interno da carne chinesa começou a se recuperar, o que reduz a percepção de dano causado pelas importações. Ainda assim, o setor produtivo doméstico pressiona por medidas que sustentem os preços locais.

Uma fonte disse que o país não tem “muita escolha”: não há volume suficiente entre os concorrentes do Brasil para substituir o fornecimento atual. “Se o Brasil embutir tarifa no preço, a carne fica mais cara, mas eles não têm quem cubra essa demanda”, afirmou.

Impactos diretos para o pecuarista brasileiro

Para quem está no campo, o cenário é de atenção, mas não de retração.

  • A demanda chinesa segue estruturalmente firme.

  • Mesmo com cotas, o Brasil tende a manter espaço pela escala e regularidade.

  • Os ajustes, caso ocorram, podem afetar preços no curto prazo, mas não alteram o papel estratégico da pecuária brasileira no mercado global.

Do ponto de vista jurídico, exportadores avaliam que o processo chinês viola normas da OMC. Caso a decisão de janeiro seja muito desfavorável, o Brasil pode contestar formalmente.

A Abiec e a Abrafrigo aguardam a definição chinesa para se manifestar. A estratégia é mostrar que a carne brasileira complementa, e não prejudica, a indústria chinesa, já que grande parte do produto enviado pelo Brasil é destinada ao processamento.

 

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