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Estudo da ABIEC e FGV Agro aponta redução de até 92,6% nas emissões da pecuária brasileira até 2050

Levantamento apresentado na FAO mostra que ganhos de produtividade e tecnologias sustentáveis podem reduzir drasticamente a intensidade de carbono da carne bovina produzida no Brasil

Cassia Carolina Cassia Carolina 10 de junho de 2026 às 15h11

As emissões da pecuária brasileira podem ser reduzidas em até 92,6% até 2050 sem comprometer o crescimento da produção de carne bovina. A conclusão faz parte do estudo “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050”, desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e apresentado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), durante reunião da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizada em Roma, no último dia 8 de junho.

O levantamento demonstra que a adoção de tecnologias já disponíveis no campo, como recuperação de pastagens degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), melhoramento genético e uso de aditivos alimentares, poderá reduzir significativamente a intensidade de carbono da produção nacional de carne bovina.

Ganhos de produtividade impulsionam descarbonização

Segundo a pesquisadora da FGV Agro, Camila Estevam, o cenário de referência aponta redução de até 80% na intensidade das emissões, passando de 80 kg para 16 kg de CO₂ equivalente por quilo de carne produzida. Nos cenários mais avançados, alinhados ao Plano ABC+, essa redução pode chegar a 92,6%, alcançando apenas 5 kg de CO₂ equivalente por quilo de carne.

O estudo também destaca o chamado “efeito poupa-terra”. Entre 2004 e 2024, a produção brasileira de carne bovina cresceu mais de 240%, enquanto a área destinada às pastagens foi reduzida em 11%. O ganho de produtividade evitou a necessidade de incorporar cerca de 397 milhões de hectares adicionais para a atividade pecuária.

Atualmente, o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, com 192,6 milhões de cabeças, utilizando aproximadamente 30,2% do território nacional para atividades agropecuárias e mantendo 66,3% da vegetação nativa preservada.

Para Fernando Zelner, diretor de Sustentabilidade da ABIEC, a apresentação do estudo em um fórum internacional fortalece a posição da carne bovina brasileira nos mercados globais.

“É fundamental apresentar ao mundo informações baseadas em ciência para demonstrar por que a carne brasileira é sustentável, confiável e capaz de atender às exigências dos consumidores internacionais”, destacou.

O estudo conclui que o aumento da produtividade será um dos principais vetores para reduzir as emissões da pecuária brasileira nas próximas décadas, permitindo ampliar a oferta de alimentos e fortalecer os compromissos ambientais do setor.

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