FOTO: Divulgação l Abiec
As emissões da pecuária brasileira podem ser reduzidas em até 92,6% até 2050 sem comprometer o crescimento da produção de carne bovina. A conclusão faz parte do estudo “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050”, desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e apresentado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), durante reunião da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizada em Roma, no último dia 8 de junho.
O levantamento demonstra que a adoção de tecnologias já disponíveis no campo, como recuperação de pastagens degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), melhoramento genético e uso de aditivos alimentares, poderá reduzir significativamente a intensidade de carbono da produção nacional de carne bovina.
Ganhos de produtividade impulsionam descarbonização
Segundo a pesquisadora da FGV Agro, Camila Estevam, o cenário de referência aponta redução de até 80% na intensidade das emissões, passando de 80 kg para 16 kg de CO₂ equivalente por quilo de carne produzida. Nos cenários mais avançados, alinhados ao Plano ABC+, essa redução pode chegar a 92,6%, alcançando apenas 5 kg de CO₂ equivalente por quilo de carne.
O estudo também destaca o chamado “efeito poupa-terra”. Entre 2004 e 2024, a produção brasileira de carne bovina cresceu mais de 240%, enquanto a área destinada às pastagens foi reduzida em 11%. O ganho de produtividade evitou a necessidade de incorporar cerca de 397 milhões de hectares adicionais para a atividade pecuária.
Atualmente, o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, com 192,6 milhões de cabeças, utilizando aproximadamente 30,2% do território nacional para atividades agropecuárias e mantendo 66,3% da vegetação nativa preservada.
Para Fernando Zelner, diretor de Sustentabilidade da ABIEC, a apresentação do estudo em um fórum internacional fortalece a posição da carne bovina brasileira nos mercados globais.
“É fundamental apresentar ao mundo informações baseadas em ciência para demonstrar por que a carne brasileira é sustentável, confiável e capaz de atender às exigências dos consumidores internacionais”, destacou.
O estudo conclui que o aumento da produtividade será um dos principais vetores para reduzir as emissões da pecuária brasileira nas próximas décadas, permitindo ampliar a oferta de alimentos e fortalecer os compromissos ambientais do setor.