FOTO: Leonardo Silva l AgroEffective
Qualidade, rendimento e genética estão entre os fatores que podem fazer diferença na produção e na valorização da lã dentro da propriedade. Esses critérios ganharam destaque no Concurso de Velos da 49º Expointer, realizado pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).
No segundo dia da competição, realizado nesta quarta-feira (2/9), foi a vez da raça Ideal passar pela avaliação. No dia anterior, o concurso havia analisado exemplares das raças Merino Australiano e Corriedale.
Responsável pelo julgamento, o uruguaio Santiago Onandi chegou ao sétimo ano de atuação no evento. Ligado à compra de lã para uma empresa do Uruguai, ele avaliou características relacionadas à qualidade genética, à conformação dos animais e ao potencial industrial da lã.
O objetivo é identificar os exemplares que mais se aproximam dos padrões desejados tanto para a raça quanto para o mercado têxtil.
Qualidade da lã exige avaliação técnica
Entre as características da raça Ideal, Onandi destacou a boa coloração e o rendimento do velo. Segundo o jurado, a tonalidade também é um indicativo importante da qualidade do produto. “Quanto mais branco for, mais pura é a lã”, explicou.
Mas a avaliação da produção vai além das características que podem ser observadas visualmente. A tosquia do rebanho geralmente ocorre uma vez ao ano, e o próprio criador pode acompanhar na propriedade informações como o peso do velo.
Para conhecer com maior precisão a qualidade da lã produzida, outros indicadores precisam ser analisados em laboratório. É o caso do diâmetro, rendimento ao lavado, rendimento ao penteado, peso de velo penteado, coeficiente de variação, fator de conforto e comprimento da lã. “O investimento realmente vale a pena”, afirmou Onandi.
Dados podem orientar melhoramento do rebanho
O acompanhamento desses indicadores permite ao produtor entender com maior precisão as características da lã produzida pelo rebanho e identificar quais pontos podem ser aprimorados.
Com os resultados em mãos, é possível direcionar o melhoramento para buscar, por exemplo, maior rendimento e fibras mais finas, além de utilizar informações técnicas como suporte às decisões de seleção genética.
Para Onandi, ampliar o conhecimento sobre a própria produção também fortalece o pecuarista na comercialização. Quanto mais informações estiverem disponíveis sobre a qualidade da lã, maiores são as condições para buscar uma remuneração compatível com as características do produto.
A genética, nesse contexto, também é apontada como uma ferramenta importante para aumentar a rentabilidade. A seleção de animais com características desejáveis permite trabalhar a evolução do rebanho ao longo das gerações e aprimorar a matéria-prima entregue ao mercado.
Lãs finas encontram cenário favorável no mercado
Durante o Concurso de Velos da 49º Expointer, o jurado também traçou um paralelo entre a produção brasileira e a uruguaia. Segundo Onandi, a qualidade da lã encontrada no Brasil é muito semelhante à do Uruguai em razão das características similares do bioma.
A diferença está principalmente na comercialização. De acordo com o especialista, o país vizinho está mais avançado nesse processo e tem China e Europa como seus principais mercados.
O momento, segundo ele, é especialmente positivo para as lãs finas, que encontram possibilidade de boa remuneração. A valorização, no entanto, depende de cuidados que não se restringem à genética.
“Este é um momento bom para as lãs finas, é possível vender por um bom preço, principalmente as certificadas pela Arco, sem esquecer da esquila e do acondicionamento correto para a valorização do produto”, destacou.
Dessa forma, genética, avaliação técnica, certificação, esquila e acondicionamento formam um conjunto de práticas capazes de contribuir para a qualidade final da lã e para a busca por melhores oportunidades de comercialização.
Cabanha Vale do Camoaty conquista dois troféus
Ao final do julgamento da raça Ideal, os criadores Renato e Ronaldo da Costa, da Cabanha Vale do Camoaty, foram os destaques da competição.
A cabanha, de Uruguaiana (RS), conquistou o troféu de Melhor Velo nas categorias Macho e Fêmea, encerrando o segundo dia do Concurso de Velos com vitória nas duas disputas.