FOTO: Marine Traffic
As exportações brasileiras de gado vivo alcançaram um recorde histórico em 2026, mesmo faltando três meses para o encerramento do ano. De janeiro a setembro, o Brasil embarcou 1,052 milhão de bovinos, superando as 1,050 milhão de cabeças exportadas durante todo o ano de 2025.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, divulgado na última quinta-feira (29/30), o resultado confirma o ritmo das vendas internacionais de bovinos brasileiros e reforça a importância do mercado externo como alternativa de comercialização para a pecuária nacional.
Somente em setembro, foram exportadas 127,9 mil cabeças de gado vivo. O volume representou o terceiro melhor resultado já registrado para o mês, sendo suficiente para superar a marca anual anterior. Com a continuidade da demanda internacional, a expectativa é de que o Brasil amplie ainda mais o volume exportado até dezembro.
Turquia e Marrocos lideram importações de gado vivo
A Turquia manteve a liderança entre os destinos do gado vivo brasileiro em setembro de 2026. O país adquiriu 62,3 mil bovinos, o equivalente a 48,7% de todos os animais embarcados no período. O Marrocos apareceu na segunda posição, com 26,3 mil cabeças importadas, representando 20,6% das exportações brasileiras no mês.
Juntos, os dois mercados responderam por 69,3% dos embarques de setembro, demonstrando sua relevância para o comércio internacional de bovinos vivos.
Para os pecuaristas brasileiros, a manutenção das compras externas representa uma alternativa adicional para a comercialização dos animais, principalmente nas regiões que possuem acesso à logística de exportação.
Pará e São Paulo concentram embarques de bovinos
Entre os estados brasileiros, Pará e São Paulo tiveram as maiores participações nas exportações de gado vivo em setembro. O Pará liderou os embarques, com 49,9% do volume nacional, seguido por São Paulo, responsável por 34,3%.
A distribuição dos animais por país de destino também apresentou características diferentes. São Paulo respondeu por 70,5% dos bovinos enviados à Turquia, principal mercado comprador do Brasil.
Já o Pará concentrou todos os embarques destinados à Arábia Saudita, Egito, Iraque, Jordânia e Líbano. O estado também participou com 44,1% dos animais exportados para o Marrocos.
Os números mostram a importância dessas duas regiões no atendimento à demanda internacional por bovinos brasileiros.
Marrocos recebe bovinos de diferentes estados brasileiros
Entre os principais compradores de gado vivo, o Marrocos apresentou a maior diversidade de estados fornecedores em setembro. Além do Pará, que respondeu por 44,1% dos embarques destinados ao país africano, o Paraná participou com 19,3% e o Rio Grande do Sul com 10,7%.
Minas Gerais representou 8,9% dos animais enviados ao mercado marroquino, seguido pelo Rio de Janeiro, com 7,8%. Também participaram das exportações Goiás (1,8%), Rondônia (1,5%), Santa Catarina (1,1%) e Espírito Santo (0,3%).
A presença de diferentes estados nesse fluxo comercial evidencia a participação de várias regiões brasileiras no fornecimento de animais vivos para o mercado internacional.
Exportações de gado vivo podem chegar a 1,2 milhão de cabeças
Com o recorde já alcançado até setembro, as perspectivas para os últimos meses de 2026 permanecem positivas. De acordo com a Scot Consultoria, o mercado deve manter um ritmo consistente de embarques até dezembro, ainda que os volumes mensais não ultrapassem necessariamente os recordes anteriores.
A projeção apresentada pela consultoria indica que o Brasil poderá encerrar o ano com aproximadamente 1,2 milhão de cabeças de gado vivo exportadas, consolidando um novo patamar histórico para a atividade.