FOTO: Reprodução l Mapa
O agro brasileiro alcançou um novo recorde nas exportações em abril de 2026. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), na última sexta-feira (15/5), o setor movimentou US$ 16,65 bilhões no mês, o maior valor já registrado para abril desde o início da série histórica, em 1997.
O resultado representa crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025 e consolidou o agronegócio como responsável por 48,8% de todas as exportações brasileiras no mês. No acumulado entre janeiro e abril, as vendas externas do setor chegaram a US$ 54,6 bilhões, também recorde para o quadrimestre.
Além do crescimento em receita, o volume exportado pelo agro brasileiro avançou 9,5%, enquanto o preço médio das mercadorias teve alta de 2,1%. As importações do setor somaram US$ 1,62 bilhão, queda de 3,6%, resultando em superávit de US$ 15 bilhões em abril.
Entre os fatores que contribuíram para o desempenho estão a valorização da segurança sanitária, a regularidade de fornecimento e a abertura de novos mercados internacionais para os produtos brasileiros. Desde 2023, o Brasil já conquistou mais de 600 novas oportunidades comerciais para produtos agropecuários.
Carne bovina registra melhor abril da história
Para a pecuária brasileira, um dos principais destaques foi a carne bovina in natura, que alcançou recorde histórico em valor e volume exportado para meses de abril.
As vendas externas da proteína somaram US$ 1,6 bilhão, crescimento de 29,4% na comparação anual. O volume embarcado chegou a 252 mil toneladas, avanço de 4,3% em relação a abril de 2025.
A China manteve a liderança entre os compradores da carne bovina brasileira, com US$ 877,4 milhões em aquisições, representando 55,8% das exportações do produto no período.
Outro segmento que apresentou forte crescimento foi o de proteínas animais, que movimentou US$ 3 bilhões em abril, alta de 18% frente ao mesmo mês do ano passado.
China segue como principal mercado do agro brasileiro
Entre os principais destinos das exportações do agro brasileiro, a China permaneceu na liderança absoluta. O país asiático importou US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros em abril, crescimento de 21,8% na comparação anual.
A União Europeia apareceu na sequência, com US$ 2,36 bilhões em compras e participação de 14% na pauta exportadora do setor. Já os Estados Unidos importaram US$ 1 bilhão em produtos do agro brasileiro, apesar da retração de 16,8% em relação a abril de 2025.
A soja em grãos continuou como principal produto exportado pelo agronegócio brasileiro. As vendas externas alcançaram US$ 6,9 bilhões, alta de 18,8%, impulsionadas pela safra recorde 2025/2026 estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O complexo soja como um todo movimentou US$ 8,1 bilhões em abril, enquanto outros segmentos também apresentaram desempenho expressivo, como produtos florestais, café, algodão, fibras têxteis e farelo de soja.
Produtos considerados menos tradicionais também ampliaram participação no comércio exterior. Entre os destaques aparecem sebo bovino, rações para animais domésticos, óleo essencial de laranja, manga, abacate e pimenta piper seca, todos com resultados históricos em valor ou volume exportado.
Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luís Rua, o resultado reforça a posição do Brasil no cenário global. “O resultado de abril mostra que, quando a força produtiva do agro se combina com abertura de mercados, negociação e presença internacional, o país transforma potencial em acesso concreto”, afirmou.
Já o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou a importância econômica do setor. “O recorde de abril confirma o tamanho e a responsabilidade do agro brasileiro. Isso significa renda no campo, emprego na indústria e mais presença do Brasil no comércio internacional”, declarou.