FOTO: Reprodução l Scot Consultoria
A exportação de gado vivo brasileira vive um dos melhores momentos da história e caminha para fechar 2026 com um resultado inédito. Dados divulgados pela Scot Consultoria, com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que o país embarcou 542,5 mil cabeças de bovinos entre janeiro e maio, o maior volume já registrado para o período.
Somente em maio, foram exportadas 99,2 mil cabeças, desempenho que representa o terceiro melhor resultado da história para o mês, atrás apenas dos registrados em 2018 e 2025. Ainda assim, no acumulado do ano, 2026 supera com folga os anos anteriores: foram 347,5 mil cabeças até maio em 2018, 411,7 mil em 2025 e, agora, 542,5 mil em 2026.
Diversificação fortalece a exportação de gado vivo
Além do crescimento no volume embarcado, a Scot Consultoria destaca uma mudança importante no perfil dos compradores. Se em 2018 a Turquia concentrava mais de 77% das compras de bovinos vivos brasileiros, atualmente o cenário é bem mais diversificado.
A participação turca caiu para um intervalo entre 35% e 39%, enquanto países como Egito, Iraque, Marrocos, Líbano, Arábia Saudita e Argélia ganharam relevância. O avanço do Marrocos chama atenção, já que o país sequer figurava entre os principais destinos em 2018.
Essa ampliação da carteira de compradores reduz a dependência de um único mercado e fortalece a presença brasileira em regiões estratégicas, especialmente no Norte da África e no Golfo.
No Brasil, o Pará segue como principal estado exportador, respondendo por mais da metade dos embarques realizados neste ano, com cerca de 286,3 mil cabeças. O Rio Grande do Sul consolidou a segunda posição, enquanto o Tocantins ampliou sua participação. Em sentido oposto, São Paulo perdeu espaço na atividade.
Segundo a Scot Consultoria, parte dos dados de maio ainda aguarda atualização da Secex quanto ao estado de origem de aproximadamente 26 mil animais, procedimento considerado comum nas estatísticas oficiais.
Primeiro semestre deve consolidar novo recorde
Os números preliminares de junho reforçam o cenário positivo para a exportação de gado vivo. Até a segunda semana do mês, cerca de 50 mil cabeças já haviam sido embarcadas. Mantido o ritmo, a estimativa é de aproximadamente 116 mil cabeças exportadas em junho, o que representaria o segundo melhor desempenho da história para o mês, atrás apenas de junho de 2024.
Caso essa projeção se confirme, o primeiro semestre será encerrado com cerca de 658 mil cabeças embarcadas, crescimento próximo de 36% em relação ao mesmo período de 2025.
Outro indicador que reforça o aquecimento do mercado é a movimentação no Porto de Vila do Conde (PA), principal porta de saída dos bovinos vivos brasileiros. Atualmente, 14 navios especializados aguardam carregamento no local, com capacidade estimada entre 53,9 mil e 68,7 mil cabeças.
Diante desse cenário, a Scot Consultoria projeta pelo menos 50 mil cabeças embarcadas em julho, mantendo a atividade aquecida e fortalecendo a expectativa de que 2026 entre para a história como o maior ano da exportação de gado vivo brasileira.