FOTO: Divulgação l ABCZ
O melhoramento genético dos rebanhos zebuínos ganhou espaço também no meio acadêmico durante a 19ª ExpoGenética, em Uberaba (MG). A primeira edição do Concurso Técnico-Científico da feira premiou, nesta última quinta-feira (20/), seis pesquisas desenvolvidas por estudantes de graduação e pós-graduação de diferentes instituições brasileiras.
Os estudos abordam temas que têm impacto direto na evolução da pecuária, como produção e reprodução, qualidade da carne, características de carcaça, sanidade e identificação de características genéticas das raças zebuínas.
A iniciativa, promovida durante a ExpoGenética, busca aproximar a pesquisa científica dos desafios encontrados no campo e incentivar a formação de novos profissionais dedicados ao desenvolvimento da pecuária zebuína.
Melhoramento genético do Sindi é destaque na graduação
Na categoria Graduação, o primeiro lugar ficou com José Ricardo Sobral da Silva, estudante do 9º período de Medicina Veterinária da Uniceplac, no Distrito Federal. O trabalho apresentado foi o “Primeiro estudo de predição genômica para produção de leite, intervalo entre partos e teor de gordura no leite em bovinos Sindi”.
A pesquisa busca contribuir para a identificação e seleção de animais que reúnam características como rusticidade, produção de leite e qualidade da composição do leite.
Segundo José Ricardo, os resultados podem ser especialmente importantes para pequenos produtores, considerando características da raça Sindi como adaptação e eficiência alimentar.
“O estudo busca contribuir para a seleção de animais Sindi com maior rusticidade, produção de leite e qualidade da composição do leite. A expectativa é que os resultados sejam especialmente relevantes para pequenos produtores, considerando a capacidade de adaptação e a eficiência alimentar da raça”, explicou.
O segundo lugar ficou com Pedro Henrique Simielli Gonçalves, estudante do 4º período de Medicina Veterinária da Universidade de Uberaba (Uniube). Ele apresentou uma pesquisa sobre a associação e a capacidade preditiva de medidas de gordura subcutânea para o marmoreio em bovinos Sindi.
Já Júlia Carvalho de Melo, do 10º período de Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (UnB), conquistou a terceira colocação com um estudo sobre parâmetros genéticos relacionados a características de produção, reprodução e gordura do leite em bovinos da raça.
Pesquisa busca aumentar precisão na seleção de animais
Entre os trabalhos de pós-graduação, o primeiro lugar foi conquistado por Gabriel Faria Pereira, mestrando em Sanidade e Produção Animal nos Trópicos pela Uniube.
O pesquisador analisou diferentes métodos de ajuste do peso corporal aplicados à seleção de bovinos Sindi para características de carcaça. O estudo utilizou medidas obtidas por ultrassonografia, como área de olho de lombo e espessura de gordura subcutânea.
A proposta é tornar a avaliação dos animais mais precisa, evitando que o tamanho corporal interfira indevidamente na interpretação dos resultados.
“O objetivo foi corrigir as medidas de área de olho de lombo e espessura de gordura subcutânea para o peso corporal, permitindo uma seleção mais precisa. Dessa forma, é possível evitar a superestimação de animais maiores e identificar aqueles que apresentam melhor desempenho relativo para essas características”, explicou Gabriel.
Na prática, estudos desse tipo podem contribuir para aperfeiçoar critérios utilizados no melhoramento genético, fornecendo informações mais precisas para identificar animais que se destacam em características de interesse econômico.
Sanidade e características genéticas também foram premiadas
A segunda colocação da categoria Pós-Graduação ficou com Beatriz Bastos Senes, da pós-graduação em Zootecnia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A pesquisadora apresentou um estudo sobre polimorfismos no gene PRNP associados à resistência à encefalopatia espongiforme bovina em zebuínos no Brasil.
Em terceiro lugar ficou Silel Vinicius Simões Andrade Maciel, também da pós-graduação em Zootecnia da UFBA. O trabalho identificou variantes genéticas no gene MC1R que influenciam a coloração da pelagem em raças zebuínas.
Os diferentes temas apresentados mostram como a pesquisa aplicada ao melhoramento genético de zebuínos pode avançar em várias frentes, desde características produtivas e reprodutivas até carcaça, sanidade e particularidades genéticas dos animais.
Pesquisa mais próxima da pecuária
Além de reconhecer os trabalhos, o concurso busca aproximar universidades, pesquisadores e profissionais da cadeia produtiva do zebu.
Segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), a primeira edição reuniu trabalhos de diferentes regiões brasileiras, com representantes de instituições da Bahia, de Brasília e de Uberaba.
Para Ana Cláudia, a iniciativa também cria novas possibilidades de conexão entre os estudantes e o setor.
“O Museu do Zebu também tem como propósito promover ensino, conhecimento e tecnologia. Ao abrir espaço para esses estudantes, criamos uma oportunidade de aproximação entre a universidade, os futuros profissionais e a ABCZ”, destacou.
A diversidade regional e a qualidade das pesquisas apresentadas também foram ressaltadas pela organização. A expectativa é que a aproximação contribua para novas pesquisas, projetos e para a formação de profissionais ligados à pecuária zebuína.
“A qualidade dos projetos apresentados superou as expectativas e reforçou a importância dessa interação. Esperamos que esses jovens possam seguir suas trajetórias profissionais contribuindo para a pesquisa, a geração de conhecimento e o desenvolvimento da pecuária zebuína”, afirmou Ana Cláudia.
A 19ª ExpoGenética é realizada pela ABCZ, com apoio da Emater-MG, Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), Sebrae e Sistema CNA/Faemg/Senar.