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PIB: Ipea projeta alta de 4% em 2021; setor da agropecuária deve crescer 1,5%

Segundo o instituto, a estimativa se deve à recuperação mais rápida indústria e do comércio, que já possuem níveis de atividade acima do período pré-pandemia

Publicador Sites Externos Publicador Sites Externos 21 de dezembro de 2020 às 20h59

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta segunda-feira, 21, a análise consolidada trimestral da conjuntura econômica brasileira. Os pesquisadores revisaram a previsão de queda do produto interno bruto (PIB) de 5%, feita em setembro, para 4,3% em 2020, graças principalmente à recuperação mais rápida da indústria e do comércio, cujos níveis médios de atividade já se encontram acima do período pré-pandemia.

Para 2021, a previsão de crescimento foi revisada de 3,6% para 4%. Mas o aumento no número de casos de Covid-19 no país é um fator de risco para a continuidade do processo de retomada da atividade econômica.

Na avaliação por componente, o PIB agropecuário teve crescimento projetado em 2,3% para 2020 e em 1,5% para 2021. O PIB da indústria deve apresentar queda de 3,5% no ano que se encerra e alta de 5% em 2021. Há estimativa de queda de 4,7% para o PIB dos serviços neste ano e expansão de 3,8% no ano que vem – impulsionado pela expectativa de imunização em massa da população.

O Grupo de Conjuntura do Ipea revisou a taxa de inflação de 3,5% para 4,4% em 2020. A expectativa é de que os preços dos serviços encerrem este ano com uma variação positiva de 2,0%. Já os preços monitorados devem apresentar alta de 2,5%, e os bens livres (exceto alimentos) de 2,6%. Em relação a 2021, a projeção de inflação passou de 3,3% para 3,4%.

As estimativas para a atividade da economia em novembro indicam crescimento da produção industrial de 1,8% na série sem efeitos sazonais, enquanto as vendas no comércio e o volume de serviços teriam registrado altas de 1,7% e 2,5%, respectivamente.

O desequilíbrio fiscal continua sendo um grande desafio para a economia brasileira. O aumento de gastos para reduzir os efeitos da pandemia de Covid-19 deve produzir um déficit primário da ordem de 12% do PIB em 2020, levando a dívida pública para mais de 90% do PIB. Os gastos autorizados pela União no enfrentamento à pandemia foram de R$ 508,38 bilhões no acumulado de março a dezembro – sendo R$ 328,70 bilhões de investimentos em assistência social. O cumprimento do teto de gastos em 2021 exigirá um grande esforço de articulação para viabilizar as políticas públicas num contexto de forte compressão das despesas discricionárias.

Nessa edição, a análise da conjuntura incluiu indicadores relacionados à dinâmica epidemiológica da Covid-19 no Brasil. A partir de novembro, a pandemia entrou em uma nova fase de aumento dos números de casos confirmados e de óbitos por Covid-19 no país. O aumento recente dos casos e óbitos ocorreu na maior parte das regiões, mas afetou de forma particularmente relevante as regiões Sul e Sudeste. No caso da região Sul, os números de casos novos e de óbitos por 100 mil habitantes atingiram em dezembro seus maiores valores desde o início da pandemia. No Sudeste, a taxa de novos casos por 100 mil habitantes vem crescendo e atingiu 17,4 no período de sete dias encerrado em 17 de dezembro, já próxima do pico anterior observado em agosto (19,6).

O texto menciona que é possível que a evolução da crise sanitária leve alguns estados ou municípios a retomarem medidas de restrição a certas atividades econômicas e sociais, o que poderia desacelerar a retomada em alguns segmentos, notadamente no setor de serviços. “A dificuldade de se prever a evolução da pandemia e os desafios do processo de consolidação fiscal são as principais fontes de incertezas para as projeções de crescimento da economia brasileira em 2021”, sinalizou o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo Souza Júnior.

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